Arquivo de setembro, 2009

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Publicado: 24 de setembro de 2009 em Sem categoria

ultimato

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Urgente

O atual movimento evangélico brasileiro me assusta. Reconheço, sou mesmo desconfiado. Mas não é para menos. Tens visto os acontecimentos dos últimos meses? Não? Já se esqueceu? Tudo bem. Gentilmente refrescarei sua memória.

Os líderes de duas das principais igrejas neopentecostais do Brasil estão na mira acirrada da Justiça. As acusações são graves: desde lavagem de dinheiro a associação com narcotraficantes da Colômbia. O que tais líderes alegam? Na “cara limpa” e sem titubear afirmam que tudo isso nada mais é que “estratégia do diabo” para prejudicá-los e para “afetar o avanço Reino de Deus”. O mais interessante é que o principal reino afetado até agora com tais denúncias tem sido aqueles construídos em suas propriedades no Brasil e exterior, e nas suas contas bancárias que aglomeram fábulas de dinheiro, fruto das suas exorbitantes colheitas mercenárias. Estes “servos de Deus” abarrotam suas famílias e comparsas com bens de luxo, fruto da exploração descarada das massas sofridas e indefesas que lotam suas igrejas.

Assim como o apóstolo Paulo, alerto que o problema não é o surgimento de “obreiros fraudulentos” (2Co 11.13), pois isso é inevitável. O maior problema é saber se as ovelhas darão ouvidos às suas sedutoras propostas e investidas que visam apenas sugar-lhes aquilo que de melhor podem oferecer. Após extraírem sua pele, carne, sangue e gordura, as tangerão impiedosamente de “seus” currais ou, em casos cada vez mais comuns, despejarão suas carcaças nos cemitérios da incredulidade espiritual.

O maior perigo desse movimento reside justamente na falta de reflexão do nosso povo. Nossas ovelhas sofrem de obesidade mórbida, gerada pelo sedentarismo intelectual e racional. Importamos para nossas igrejas brasileiras o modelo eclesiástico onde os nossos líderes, e apenas eles, pensam por nós. O que eles disserem vira decreto e verdade inquestionável. Tais líderes romperam e descartaram o lacre da hermenêutica e da exegese reformada e tradicional e, em troca, ofereceram um modelo pragmático (simples a ponto de ser banal!) de interpretação bíblica. Resultado: Além do perseguidíssimo “êxtase” entorpecente, conseguiram fazer com que aberrações como as listadas a seguir invadissem a internet e os palcos das igrejas: “Menino de 2 anos de idade prega com ‘autoridade pentecostal”; No sul do Brasil, galo fala em línguas estranhas e galinha interpreta”; Mulher, com auto-falante na mão, ora com ‘autoridade’ ao Senhor, determinando que Ele ressuscite seu filho (o que não aconteceu…)”. Tais avacalhações são pratos cheios para críticas e chacotas por parte dos que ainda se atrevem a colocar a cabeça para funcionar nestas bandas do mundo. Pior ainda: tudo isso precipita novamente a igreja no profundo abismo onde imperam as trevas da escravizadora ignorância e manipulação espiritual.

É impossível não temer pelo futuro da igreja evangélica brasileira quando olhamos para este cenário. Os mais otimistas, e menos realistas, dirão que a preocupação é sem sentido. Afinal de contas, “as portas do inferno não prevalecerão contra a igreja do Senhor” (Mt 16.18). Mas é bem verdade, também, que não poderemos encontrar abrigo nessa afirmativa bíblica se as nossas igrejas não estiverem fincadas absolutamente na Palavra de Deus. Ou seja, se nossas igrejas não forem fiéis às Palavras do Senhor, suas portas serão abrupta e inevitavelmente fechadas e suas ovelhas dispersas.

Lembro-me de uma célebre frase que intriga: “Os que não conhecem a história estão condenados a repeti-la”. Apenas quem desconhece, ou nem mesmo ouviu falar do que tem acontecido nos EUA e na Europa, pode ficar “calmo, sereno e tranqüilo”. Na Europa, por exemplo, onde há algumas décadas fervia e “bombava” o avivamento Wesleyano, hoje templos estão sendo transformados em bares, boates, bordéis e cassinos. No berço do protestantismo, onde as conversões aconteciam aos milhares, hoje se amarga, em várias áreas, a realidade de conversões que, nas estatísticas mais otimistas, beiram cerca de 1% ao ano. Sem falar na frieza espiritual assoladora que varre as igrejas cristãs daquele continente, outrora conhecido por seu contagiante avivamento.

Esse movimento que atrai multidões, que as arrasta ao delírio gospel, que leva fãs evangélicos a andarem centenas de quilômetros para verem seus ídolos cantar, ministrar ou pregar, deve ser olhado por nós com desconfiança. É o nosso futuro, como igreja cristã brasileira, que está em jogo. Ou arregaçamos nossas mangas e começamos a lutar para desenvolver em nossas igrejas a cultura e o hábito da reflexão madura e bíblica dos fatos, ou dentro de pouco tempo estaremos chorando sobre o solo brasileiro, lamentando sua inevitável esterilidade, associada ao desprezo e descrédito do nosso povo à verdadeira e saudável pregação do Evangelho. Duvidas? Nesse caso, diferente do exigido por algumas igrejas, não precisa nem pagar pra ver…

Francisco Helder Sousa Cardoso

NOVIDADES QUE SALVAM, NOVIDADES QUE MATAM

Publicado: 11 de setembro de 2009 em Sem categoria

máscaras

 

Sou “afoito” por novidades. Passeio diariamente por dezenas de sites em busca das descobertas mais quentinhas que surgem mundo afora.

O anseio por novidades se dá em qualquer área de nossas vidas. Não é uma exigência apenas do mundo das notícias jornalísticas. A esposa espera que o marido a surpreenda com novas provas de amor; o ambicioso patrão aguarda o desempenho superprodutivo e inovador do funcionário; o paciente desenganado espera novidades da ciência que ponham fim à sua dor e rasguem sua sentença de morte decretada pelo médico. Enfim, todos esperam e correm atrás de boas novas.

Nas igrejas evangélicas não têm sido diferente. Todos vivem na constante busca por algo novo. Historicamente, busca-se nos arraiais pentecostais e carismáticos o “algo mais” que o Espírito Santo pode dar. Sim, pois a simples conversão e regeneração, de tão comuns e “democráticas”, já não cativam e atraem. É necessário que haja uma espécie de “segunda benção”, apelidada por alguns, curiosamente, de “batismo no Espírito Santo”. Esse status avançado de espiritualidade é marcado, de acordo com as cartilhas pentecostais, pelo “falar em línguas estranhas”, marca indelével dessa categoria especial. Os “iluminados” que chegam a esse patamar, dispõe de uma autoridade e respeitabilidade extra diante dos demais. Afinal de contas, eles mergulharam nas profundezas do Espírito, conhecendo particularidades, ou melhor, novidades da essência e natureza divina.

Esse é um breve resumo da centenária doutrina ensinada na alfabetização pentecostal. Não concordo com essa novidade. Tenho minhas reservas. Já vasculhei o texto bíblico neotestamentário de “trás pra frente” e de “frente pra trás” e nada encontrei que sustentasse essa aquecida tese. Porém, como esse é um debate aparentemente infinito, mesmo discordando, respeito os que pensam diferente de mim.

Vemos ainda que, na busca por novidades, boa parte das igrejas evangélicas fincadas em solo brasileiro têm sido palco de fatos aterrorizantes. Visto que são solos altamente produtivos, acolhem com alegria qualquer tipo de semente nelas lançadas. Dessa forma, germinam e proliferam, aqui debaixo dos nossos olhos, dentro do quintal das nossas igrejas, modelos de culto e práticas que mesclam pitadas de espiritismo, catolicismo medieval, candomblé e umbanda e uma série de rituais produzidos por essas e outras religiões que prontamente repudiamos. Um estranho paradoxo… Acho que por isso certo pregador denunciou que alguns pastores estão mais para macumbeiros que para condutores do rebanho do Senhor.

E não pára por aí: a bola da vez é a Teologia da Prosperidade. Nascida dos Estados Unidos, ela foi rapidamente importada para o Brasil por alguns dos líderes esfomeados por dinheiro que temos aqui. Não bastasse terem transformado os púlpitos de suas igrejas em verdadeiros circos (onde vivem de apresentar figuras bizarras), ringues (onde brigam noite e dia com demônios) e bola de cristal (donde recebem mensagens quentinhas sobre o futuro das pessoas), apelam agora para a bestialidade e incapacidade de reflexão do povo brasileiro, a fim de lhes subtraírem o sofrido salário adquirido através dos seus escravizadores serviços. A banda podre do Senado Federal e um sem-número de outros corruptos perdem feio para essa corja. Parte desses auto-intitulados apóstolos, bispos e pastores são dissimulados e cínicos; ladrões mentirosos e vigaristas descarados; demônios de terno e gravata que levam a Bíblia na mão para facilitar a persuasão de suas vítimas.

E tudo isso somente é possível graças aos anseios de uma multidão sofrida que sonha com NOVIDADES. Eles querem uma novidade de vida. Querem boas notícias quanto à restauração de sua família; boas notícias sobre a cura para as dores e feridas dos seus corpos e almas; notícias que ponham fim ou ao menos aliviem parte do drama diariamente por eles vivenciado. Tais pessoas estão cansadas de se alimentarem de tanta angústia, sofrimento e desilusão.  Por isso, vivem a correr atrás daqueles que lhes multiplicam pães e peixes e prometem eliminar suas dores e lástimas.

Precisamos sair do aconchego dos nossos lares, igrejas e “vidinhas” presas à rotina para anunciarmos com alegria, a todos os moradores da terra, que Jesus é o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29) e que Ele põe fim às dores mais insuportáveis e infernais. Nosso Salvador oferece vida nova, sem necessidade de campanhas, barganhas, sacrifícios humanos ou qualquer outra forma de pagamento.

 Precisamos fazê-los saber da novidade anunciada pelo anjo Gabriel, quando informou que “trazia boas novas de alegria que seriam para todo o povo. Pois na cidade de Davi nascera o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2.10,11 adaptado). Sim, eles precisam saber que “Jesus se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1. 14, adaptado), e que “Ele não está morto. JESUS CRISTO ESTÁ VIVO! Ele já ressuscitou!”. ALELUIA! Jesus está vivo e perdoa pecados, dá nova vida e garante Salvação. Que excelente notícia! Digna de ser estampada na capa dos principais jornais e revistas do nosso país.

 O mundo que está em trevas precisa ver essa grande Luz. Isso somente será possível quando olharmos para a multidão que está ao nosso redor e por ela sofrermos sinceramente, assim como Jesus, entendendo que são como ovelhas que não tem pastor. Esse sentimento gerará em nós um desejo incontrolável de levarmos as boas novas de Salvação a todos os povos, nações, tribos, línguas e raças.

“Como são belos nos montes os pés daqueles que anunciam boas novas, que proclamam a paz, que trazem boas notícias, que proclamam salvação…” (Isaías 52.7 NVI)

Francisco Helder Sousa Cardoso