NOVIDADES QUE SALVAM, NOVIDADES QUE MATAM

Publicado: 11 de setembro de 2009 em Sem categoria

máscaras

 

Sou “afoito” por novidades. Passeio diariamente por dezenas de sites em busca das descobertas mais quentinhas que surgem mundo afora.

O anseio por novidades se dá em qualquer área de nossas vidas. Não é uma exigência apenas do mundo das notícias jornalísticas. A esposa espera que o marido a surpreenda com novas provas de amor; o ambicioso patrão aguarda o desempenho superprodutivo e inovador do funcionário; o paciente desenganado espera novidades da ciência que ponham fim à sua dor e rasguem sua sentença de morte decretada pelo médico. Enfim, todos esperam e correm atrás de boas novas.

Nas igrejas evangélicas não têm sido diferente. Todos vivem na constante busca por algo novo. Historicamente, busca-se nos arraiais pentecostais e carismáticos o “algo mais” que o Espírito Santo pode dar. Sim, pois a simples conversão e regeneração, de tão comuns e “democráticas”, já não cativam e atraem. É necessário que haja uma espécie de “segunda benção”, apelidada por alguns, curiosamente, de “batismo no Espírito Santo”. Esse status avançado de espiritualidade é marcado, de acordo com as cartilhas pentecostais, pelo “falar em línguas estranhas”, marca indelével dessa categoria especial. Os “iluminados” que chegam a esse patamar, dispõe de uma autoridade e respeitabilidade extra diante dos demais. Afinal de contas, eles mergulharam nas profundezas do Espírito, conhecendo particularidades, ou melhor, novidades da essência e natureza divina.

Esse é um breve resumo da centenária doutrina ensinada na alfabetização pentecostal. Não concordo com essa novidade. Tenho minhas reservas. Já vasculhei o texto bíblico neotestamentário de “trás pra frente” e de “frente pra trás” e nada encontrei que sustentasse essa aquecida tese. Porém, como esse é um debate aparentemente infinito, mesmo discordando, respeito os que pensam diferente de mim.

Vemos ainda que, na busca por novidades, boa parte das igrejas evangélicas fincadas em solo brasileiro têm sido palco de fatos aterrorizantes. Visto que são solos altamente produtivos, acolhem com alegria qualquer tipo de semente nelas lançadas. Dessa forma, germinam e proliferam, aqui debaixo dos nossos olhos, dentro do quintal das nossas igrejas, modelos de culto e práticas que mesclam pitadas de espiritismo, catolicismo medieval, candomblé e umbanda e uma série de rituais produzidos por essas e outras religiões que prontamente repudiamos. Um estranho paradoxo… Acho que por isso certo pregador denunciou que alguns pastores estão mais para macumbeiros que para condutores do rebanho do Senhor.

E não pára por aí: a bola da vez é a Teologia da Prosperidade. Nascida dos Estados Unidos, ela foi rapidamente importada para o Brasil por alguns dos líderes esfomeados por dinheiro que temos aqui. Não bastasse terem transformado os púlpitos de suas igrejas em verdadeiros circos (onde vivem de apresentar figuras bizarras), ringues (onde brigam noite e dia com demônios) e bola de cristal (donde recebem mensagens quentinhas sobre o futuro das pessoas), apelam agora para a bestialidade e incapacidade de reflexão do povo brasileiro, a fim de lhes subtraírem o sofrido salário adquirido através dos seus escravizadores serviços. A banda podre do Senado Federal e um sem-número de outros corruptos perdem feio para essa corja. Parte desses auto-intitulados apóstolos, bispos e pastores são dissimulados e cínicos; ladrões mentirosos e vigaristas descarados; demônios de terno e gravata que levam a Bíblia na mão para facilitar a persuasão de suas vítimas.

E tudo isso somente é possível graças aos anseios de uma multidão sofrida que sonha com NOVIDADES. Eles querem uma novidade de vida. Querem boas notícias quanto à restauração de sua família; boas notícias sobre a cura para as dores e feridas dos seus corpos e almas; notícias que ponham fim ou ao menos aliviem parte do drama diariamente por eles vivenciado. Tais pessoas estão cansadas de se alimentarem de tanta angústia, sofrimento e desilusão.  Por isso, vivem a correr atrás daqueles que lhes multiplicam pães e peixes e prometem eliminar suas dores e lástimas.

Precisamos sair do aconchego dos nossos lares, igrejas e “vidinhas” presas à rotina para anunciarmos com alegria, a todos os moradores da terra, que Jesus é o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29) e que Ele põe fim às dores mais insuportáveis e infernais. Nosso Salvador oferece vida nova, sem necessidade de campanhas, barganhas, sacrifícios humanos ou qualquer outra forma de pagamento.

 Precisamos fazê-los saber da novidade anunciada pelo anjo Gabriel, quando informou que “trazia boas novas de alegria que seriam para todo o povo. Pois na cidade de Davi nascera o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2.10,11 adaptado). Sim, eles precisam saber que “Jesus se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1. 14, adaptado), e que “Ele não está morto. JESUS CRISTO ESTÁ VIVO! Ele já ressuscitou!”. ALELUIA! Jesus está vivo e perdoa pecados, dá nova vida e garante Salvação. Que excelente notícia! Digna de ser estampada na capa dos principais jornais e revistas do nosso país.

 O mundo que está em trevas precisa ver essa grande Luz. Isso somente será possível quando olharmos para a multidão que está ao nosso redor e por ela sofrermos sinceramente, assim como Jesus, entendendo que são como ovelhas que não tem pastor. Esse sentimento gerará em nós um desejo incontrolável de levarmos as boas novas de Salvação a todos os povos, nações, tribos, línguas e raças.

“Como são belos nos montes os pés daqueles que anunciam boas novas, que proclamam a paz, que trazem boas notícias, que proclamam salvação…” (Isaías 52.7 NVI)

Francisco Helder Sousa Cardoso

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comentários
  1. pastorandersonbarbosa disse:

    Parabéns Helder, muito bom seu artigo, que bom seria se todos pudessem enxergar essa realidade e começar a falar contra esses enganadores, e a religiosidade falsa que ensinam. Infelismente muitos pensam que só os católicos necessitam do evangelho para serem salvos, mas se analizarmos os “evangelicos ” precisam tanto quanto os católicos, visto que, mudaram somente o nome da igreja onde estão congregando mas as práticas continuam as mesmas de anteriormente.
    Oremos para que o Senhor Deus tenha misericóridia deles e de nós também.

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