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Vocacionado? Eu? Você tá brincando?!

Publicado: 19 de junho de 2012 em Sem categoria

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“Existem tipos diferentes de dons espirituais, mas é um só e o mesmo Espírito quem dá esses dons. Existem maneiras diferentes de servir, mas o Senhor que servimos é o mesmo. Há diferentes habilidades para realizar o trabalho, mas é o mesmo Deus quem dá a cada um a habilidade para fazê-lo. Porém é um só e o mesmo Espírito quem faz tudo isso. Ele dá um dom diferente para cada pessoa, conforme ele quer”.
(1 Co 12.4-6,11 NTLH)

Pra começo de conversa é importante entendermos que Deus chama pessoas diferentes, em circunstâncias diferentes, em idades diferentes para o ministério. Chamou o Profeta Jeremias no ventre da mãe (Jr 1.5); chamou o Profeta Isaías num momento de crise nacional (Is 6); chamou o Apóstolo Pedro depois de casado; chamou Paulo quando este perseguia a igreja (At 22.3-16). Como você pode perceber, não há um padrão exato para nosso chamado vocacional. Todavia, é importante que desde cedo você saiba identificar elementos e detalhes que configuram uma vocação, um chamado específico.
Muitos têm uma compreensão errada do que seja vocação e chamado. John Jowett, em seu livro “O pregador, sua vida e sua obra”, diz que “vocação é quando você tem todas as outras portas abertas [escancaradas], mas você só anseia entrar pela porta de um ministério específico”. É como se houvessem algemas invisíveis que o “prendessem” àquela realidade e missão específica.
De acordo com o Pr. Hernandes Dias Lopes “o vocacionado não é um voluntário, mas um chamado/convocado. O seu ministério não é procurado, é recebido. Sua vocação não é terrena, é celestial. Sua motivação não está em vantagens humanas, mas em cumprir o propósito divino”.
Ora, mas qual seria então a diferença entre vocação e chamado? Preciso dizer que elas caminham bem juntinhas e têm tudo em comum. Toda pessoa chamada é vocacionada. E toda pessoa vocacionada terá um chamado específico, mais cedo ou mais tarde. A única possível diferença é que vocação é uma capacitação especial (através de um dom, talento) dada por Deus, através do seu Espírito Santo, enquanto que o chamado está relacionado ao local e circunstância específica onde Deus nos fará colocar aquela vocação em prática.

Pra ficar mais claro ainda usarei meu exemplo pessoal: Minha vocação é para o Ministério Pastoral. Todavia, meu chamado específico, nesse tempo, foi para pastorear a juventude da Igreja Batista Equatorial, em Belém (PA), e também para servir como presidente da Juventude Batista do Pará. E aí, matou a charada da diferença entre vocação e chamado?! Vamos avante!
Outra compreensão importante é a de que você pode (e deve) frutificar onde Deus te plantou. O local onde fomos plantados por Deus é o local onde ele quer que frutifiquemos. Caso Ele queira que a gente frutifique em outro local, ele mesmo providenciará essa mudança.
Para facilitar a compreensão sobre o tema, o Pr. Ed René Kivitz, da Igreja Batista Água Branca (SP), destaca alguns pontos interessantes. Ele afirma que “você sabe que tem uma vocação quando existe uma necessidade do/no mundo a respeito da qual você se sente responsável. Pode ser um grupo social, um povo, uma instituição, uma causa, enfim, algo pelo que você se sente impelido ou impelida a fazer alguma coisa”.
Veja um inspirador exemplo. Os batistas brasileiros perderam, há poucos dias, a querida Missionária Margarida Lemos Gonçalves. Capixaba por nascimento, no comecinho da juventude afirmava ter recebido um chamado divino para dedicar sua vida integralmente nos campos missionários transculturais. Dito e feito: dedicou mais de 60 anos para evangelização e edificação do Norte do Brasil, especialmente o Estado do Tocantins. A missionária Margarida gastou sua vida a fim de que, por meio deste sacrifício, outros pudessem conhecer a Jesus Cristo. Que legado espetacular!
Ainda sobre características vocacionais, o Pr. Kivitz afirma que “você sabe que tem uma vocação quando aquilo que você faz exige mais do que mera intuição, exige capacitação. Para exercer uma vocação você deve se comprometer a estudar, se aperfeiçoar e se desenvolver de modo a fazer cada vez melhor e com mais excelência, eficiência e eficácia aquilo que faz”.
Em relação a isso menciono o belíssimo exemplo de vida e testemunho do nosso irmão William Douglas. Quem ele é? Um jurista brasileiro que alcançou respeito nacional por ser mega experiente e profissional na área em que Deus o vocacionou. Algumas vezes o vi dando entrevistas a programas televisivos famosos como “Jornal Nacional”, “Programa do Jô” e “Fantástico”, todos da Rede Globo. Em seu currículo consta, dentre outras coisas, que é Juiz Federal, Especialista em políticas públicas, escritor, professor, Mestre em Direito, dono de editora, além de ter escrito o livro “Como passar em provas concursos”, que chegou a ser best-seller (um dos mais vendidos) no Brasil.
O mais interessante em tudo isso é que o Juiz William Douglas, que é membro da Igreja Batista Central de Niterói (RJ), testemunha o seguinte: “Você acha que, por todas essas vitórias eu sou o cara? Pois fique sabendo que Jesus Cristo é que é o cara! Tudo isso devo a Ele”. Este é um excelente exemplo de alguém que soube conciliar profissão e vocação para a glória de Deus.
Esqueça a idéia (errada) de que apenas pastores e missionários transculturais são vocacionados. Eles também são, mas não apenas eles. De acordo a Bíblia, TODOS nós somos vocacionados, e as possibilidades de vocações são inúmeras. Ou seja, engenheiros, médicos, advogados, professores, faxineiros, jardineiros, administradores, pastores, cantores, instrumentista, compositores, agricultores e um sem-número de outras pessoas podem ser capacitadas por Deus, com dons e talentos específicos, para servi-Lo mundo afora.
O mundo sempre ficará surpreso diante do impacto causado pela vida de homens e mulheres que colocam inteiramente nas mãos de Deus.
Que o nosso Deus nos dê discernimento, sabedoria e sensibilidade pra entendermos e colocarmos em prática a vocação e o chamado que Ele tem pra cada um de nós.

Pr. Francisco Helder Sousa Cardoso

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Alerta aos Pastores

Publicado: 9 de abril de 2012 em Sem categoria

Imagem8.921 mil: Esse é o número de pastores batistas atualmente filiados à OPBB (Ordem dos Pastores Batistas do Brasil). Se considerarmos todas as denominações evangélicas em nosso país, o número de pastores pode ultrapassar 200 mil. Além disso, outro número estratosférico chama a nossa atenção. O IBGE acusou, há alguns meses, o que já se esperava: somos quase 30 milhões de evangélicos espalhados pelo solo brasileiro. A despeito de tudo isso, fatos nos dão conta de que caminhamos para um colapso moral e religioso em nossa nação.
Os escândalos protagonizados por pastores evangélicos surgem com força e velocidade de enxurrada. Anos atrás, o programa “Fantástico” (da Rede Globo) pulverizou para todo o país a história do “pastor” que atuava em terras capixabas e que, para surpresa geral, alegava ter encontrado a base bíblica que legitimava sua relação poligâmica (Sim, ele jurava de “pés juntos” que a ordem havia sido dada pelo próprio Deus, e que, inclusive, estava claramente prescrita na Bíblia Sagrada, em Oséias 3.1. À época, o próprio repórter da Rede Globo, numa simples e adequada leitura bíblica, corrigiu a escandalosa interpretação). Apesar de ser um caso curiosíssimo, não pretendo explorá-lo. Também não desejo ressuscitar o caso do “pastor” e deputado candango que, após receber a abençoada propina, orou, com seus comparsas, agradecendo a Deus por aquela jubilosa “dádiva” alcançada.
Mais recentemente, um intrigante (e já esperado!) caso alcançou notoriedade nacional. A acirrada disputada pelo “poder” levou ao “ringue” as mais “poderosas” e endinheiradas estrelas do atual movimento gospel do Brasil. Palavras ferinas, desmascaramento de técnicas de persuasão das multidões, exposição de patrimônios milionários, acusações infames, rogação de pragas e maldições foram apenas algumas das armas usadas pelos magnatas. Horas a fio têm sido gastas na caríssima TV aberta a fim de desprestigiar concorrentes e adversários religiosos. Nessa versão moderna de “guerra santa” as consequências têm sido catastróficas.
Estes são apenas alguns exemplos das desastrosas e aberrantes ações cometidas por alguns líderes evangélicos brasileiros. Como conseqüência imediata, visualizamos o desprestígio e a ridicularização do verdadeiro Evangelho no coração de milhões de pessoas Brasil afora. É possível imaginar a imensidão de incrédulos que, diante de tantos escândalos e absurdos, evitarão se aproximar do Deus que, supostamente, rege a vida de tais líderes.
E não para por aí. Outra conseqüência negativa é o desgaste da imagem pastoral. Atualmente, no Brasil, a designação “pastor” virou motivo de rejeição e chacota. Apresentar-se como pastor é correr o risco de ser automaticamente assimilado a mercenário, salafrário, 1.7.1, larápio, trapaceiro, guloso por dinheiro e a vários outros pejorativos da mesma espécie. Geralmente, quando explico a algum não-evangélico que sou pastor, preciso gastar um tempo explicando que não sou ladrão ou algo do gênero. A que triste ponto chegamos. Diante de um cenário tão conturbador como esse, proponho uma breve análise da aludida situação. Para nosso refrigério, apresento também o único antídoto capaz de exterminar esse mal. Vamos aos fatos.
Há mais de 300 anos o influente líder inglês Richard Baxter destacou que “Se Deus reformasse o ministério, fazendo cada um cumprir zelosa e fielmente os seus deveres, o povo certamente seria reformado…”. Eis uma grande verdade e necessidade: Cada pastor deve cumprir zelosa e fielmente sua tarefa, sua missão, do contrário, seu rebanho não mudará. Assim, remeto este apelo aos líderes que atuam em nosso Brasil. Sim, pois creio que somente com a graça e direção de Deus (e com a coragem e compromisso dos nossos líderes) é que poderemos reverter esse quadro tão alarmante.
Pastores devem entender que, biblicamente, sua responsabilidade prioritária é a pregação da Palavra de Deus (à qual se apõe, naturalmente, o apascento do rebanho). Talvez seja essa hoje uma das nossas maiores carências e deficiências. Percebe-se que é crescente o número de pastores que não priorizam o ensino e pregação da Palavra de Deus em suas igrejas. Como conseqüência inevitável vemos ovelhas cada vez mais desnutridas da saudável ração bíblica e que, por tal carência, empanturram-se com várias inutilidades que estão espalhadas por aí (sincretismo, misticismo, psicologismo, heresias e por aí vai…). Resultado: Raquitismo e baixa imunidade espiritual que as torna vulneráveis a tudo, até mesmo ao mais simples vento de doutrina.
A proclamação da Palavra deve ser prioridade máxima no Ministério Pastoral. Em Atos 6, os apóstolos tomaram uma decisão histórica e balizadora para as gerações seguintes: “Então, os doze convocaram a comunidade dos discípulos e disseram: Não é razoável que nós abandonemos a Palavra de Deus para servir às mesas… E, quanto a nós, nos consagraremos à oração e ao ministério da palavra… Assim, crescia a palavra de Deus, e, em Jerusalém, se multiplicava o número dos discípulos”. (At 6.2,4,7, RA). Não havia demérito algum em servir às mesas, mas aquela não era a prioridade dos seus ministérios. Não há impedimento algum a que o pastor se envolva diretamente em múltiplas ações eclesiásticas, mas somente deve fazê-lo após ter “se afadigado na Palavra e no ensino” e na oração (cf. I Tm 5.17 e At 6.2-7)
Nesse sentido, deve-se entender que proclamação bíblica pressupõe e exige preparação prévia. Devemos dar uma basta ao improviso e acomodação (e, às vezes, à embromação). De uma professora do Estado de São Paulo ouvi a seguinte pérola: “Quem quer se levantar para ensinar deve sentar para aprender”. Verdade simples e óbvia, mas evidentemente negligenciada hoje em dia.
Igual a essa foi a recomendação do Apóstolo Paulo ao explicar que uma das indispensáveis qualidades de um pastor seria a “… capacidade para ensinar” (I Tm 3.2, NTLH). Ao jovem pastor Timóteo motivou a que se dedicasse “… à leitura em público das Escrituras Sagradas, à pregação do evangelho e ao ensino cristão.” (ITm 4.13, NTLH). Afinal de contas, como pastor, ele deveria “manejar bem a Palavra da verdade” (II Tm 2.15). A pouca idade seria compensada caso Timóteo se tornasse exemplo para os fiéis na pregação e na prática da Palavra (ITm 4.12). Semelhantemente, a Tito recomendou que ensinasse as Escrituras de modo íntegro e reverente (Tt 2.7). Há uma enormidade de referências bíblicas que afirmam ser a missão primordial do pastor a pregação da Palavra (Ef 4.11-17; At 13.1-3; I Tm 3.1-7, dentre dezenas de outros).
Mas não é tão simples quanto parece. Expor mensagens e ensinos bíblicos é tarefa árdua, pois exige de quem o faz abnegada dedicação. O texto bíblico é mina riquíssima, mas o trabalho de garimpagem quase sempre é delicado, lento e manual. E embora seja capitaneado pelo Espírito Santo, deve ser feito cuidadosamente, com extrema atenção, responsabilidade e devoção. Do contrário, tesouros riquíssimos podem passar despercebidos e ficar para trás.
Numa época tão frenética como a que vivemos, gera constrangimento e insatisfação a ideia de pastores que se dedicam prioritariamente “à oração e à pregação da Palavra” (At 6.4). No imaginário popular, o pastor “bom” é o que se avoluma de funções e atividades e que vive com a agenda lotada de múltiplas ações. Dessa forma, centenas de ministérios pastorais assumem um perfil meramente técnico e funcional. Intermináveis atividades precisam ser realizadas e, desse modo, a indispensável missão de alimentar o rebanho com a Palavra vai ficando para segundo plano. Por conseguinte, pastores deixam de ser vistos como arautos de Deus e passam a ser vistos como pseudo-empresários e gerentes ou meros prestadores de serviços eclesiásticos. São pastores que, de acordo com o Rev. Hernandes Dias Lopes, erram grosseiramente ao trocar o “necessário pelo urgente”. Como lamenta a famosa expressão atribuída a Marcus Tullius Cicero, que viveu na Roma Antiga: “O tempora, o mores” (“que tempos os nossos, e que costumes!”).
Estou certo de que o atual cenário evangélico brasileiro somente poderá ser revertido se seguirmos as verdades bíblicas anteriormente apresentadas. Diante de tantos e tão graves escândalos, a resposta mais eficaz que podemos dar à nossa sociedade é uma vida e ministério dignos do Evangelho com o qual fomos alcançados e chamados (Ef 4.1; Fp 1.27). Ademais, sugiro que não nos inquietemos demasiadamente com os “inimigos da cruz de Cristo” (Fp 3.18), visto que eles em breve acertarão as contas com o próprio Senhor da Igreja. É só uma questão de tempo.
Finalmente, deixo aos colegas pastores deste “brasilzão” um apelo sincero: Jamais abramos mão da nossa responsabilidade de retransmitirmos integral e fielmente a Palavra de Deus. Afinal de contas, apenas “a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (II Tm 3.16,17, RA). O Apóstolo Paulo, na reta final da caminhada, fez um apelo ao jovem Pr. Timóteo. Apelo este que, pela Soberania divina, atravessou os séculos e chegou até nós. Que apelo foi esse? “PREGA A PALAVRA” (II Tm 4.2). Que, pela nobreza do pedido, e em honra ao nosso Deus e à nossa vocação, prontamente o atendamos. Amém!

Pr. Francisco Helder Sousa Cardoso
Pastor auxiliar na Igreja Batista Equatorial (Belém, Pará)
Presidente da Juventude Batista do Pará
fheldersc@yahoo.com.br

Um mordomo exemplar

Publicado: 7 de setembro de 2011 em Sem categoria

“Será que vocês não sabem que o corpo de vocês é o templo do Espírito Santo, que vive em vocês e lhes foi dado por Deus? Vocês não pertencem a vocês mesmos, mas a Deus, pois ele os comprou e pagou o preço. Portanto, usem o seu corpo para a glória dele”. (I Co 6.19-20, NTLH)

Pense na seguinte situação: você vai viajar e durante cerca de 2 meses estará longe da sua cidade. Devido a esse enorme tempo em que ficará fora, pede a alguém da sua confiança para cuidar da sua casa. Você entrega a chave do seu lar a essa pessoa e lhe diz: “Por favor, cuide bem da minha casa. Ela estará sob os seus cuidados”.

Acontece que, durante esse período, a pessoa faz uma verdadeira revolução: Convida centenas de pessoas e realiza festas, brincadeiras e jogos. E como a regra é aproveitar, tais convidados fazem a maior zorra. No meio de toda essa folia, quebram vasos, quadros, móveis, sujam paredes, matam flores e fazem um verdadeiro arraso em seu querido lar.

Ao voltar da viagem você observa, assustado e revoltado, tudo o que aconteceu. Vira-se para a pessoa a quem confiou sua casa e diz: “Que irresponsabilidade! Você não estava autorizado a fazer isso. Essa casa não é sua. Você deveria apenas ter tomado conta de tudo, e não agir como se fosse o proprietário”.

Uma história como essa parece um tipo de brincadeira que só existe mesmo no campo na ilusão. Mas, acredite, ela é bem real. Essa história é, na verdade, um pouco da história de cada um de nós.

Deus entregou em nossas mãos a responsabilidade de cuidarmos da sua casa, seu templo (I Co 6.19,20). Esse templo de Deus é o nosso corpo. Ser casa de Deus é um grande privilégio, mas traz consigo muitas responsabilidades. A principal delas é entender que somos uma espécie de mordomo. Dessa maneira, nossa missão é apenas cuidar e preservar o que nos foi confiado. Não estamos autorizados a agir como se fôssemos os verdadeiros proprietários.

Tudo o que fizermos relacionado ao nosso corpo deve ser feito para a glória de Deus. Isso inclui vários aspectos da vida. Por exemplo: 1) Vestuário: devo me vestir de maneira decente e respeitável. Não devo adquirir roupas e objetos que façam com que as pessoas ridicularizem, abusem ou zombem do meu corpo. 2) Higiene: preciso preservar minha boa aparência e asseio. Assim como um mordomo não deixará a casa do seu senhor virar um depósito de lixo, também devemos manter em ordem o cuidado higiênico do nosso corpo. 3) Alimentação: eis um dos pontos mais delicados desta conversa. Devemos vigiar nossos hábitos alimentares. Glutonaria é uma forma de pecado. Comer além do necessário, além de demonstrar falta de autocontrole, pode gerar sérios distúrbios em nosso corpo como a obesidade, diabetes, problemas cardíacos, vasculares e etc.  4) Sexualidade: como já dissemos, nosso corpo não é nosso. É do Senhor. Por isso, não podemos sair por aí fazendo o que bem quisermos. Não podemos oferecê-lo para práticas imorais (1 Co 6.16). Também não devemos usá-lo como objeto de desenfreada sensualidade.

É importante sabermos que Deus não criou nossos corpos pra serem caminhões de limpeza pública, que perambulam por aí recolhendo sobre si todo tipo de porcaria e inutilidades. Ao invés disso, Ele nos deu um corpo santo para que o usássemos da melhor maneira possível, tendo como objetivo maior a Sua glória (1Co 10.31).

Por mais que pareça fictícia, a história contada no início desse texto é real. O Dono da casa (Deus) deixou seu lar (nosso corpo) sob nossa responsabilidade. E de uma coisa eu e você podemos ter certeza: Ele, mais cedo ou mais tarde, vai voltar e exigir receber em perfeitas condições a casa que, intacta e perfeitamente, entregou em nossas mãos.

Devemos orar e nos esforçar para que a reação dele, ao receber de volta a chave da casa que cuidamos, seja nos olhar agradecido e orgulhoso, para então dizer: “Muito bem, servo bom e fiel! Você foi fiel no pouco, eu o porei sobre muito. Venha festejar com o seu Senhor” (Mateus 25.21, Bíblia Viva)

Pr. Francisco Helder Sousa Cardoso

DEIXE SUA MARCA

Publicado: 29 de julho de 2011 em Sem categoria

O Despertar 2011, maior congresso da Juventude Batista Brasileira, deixará saudades. Será difícil esquecer aqueles dias. Cada detalhe foi singularmente especial: mensagens bíblicas, testemunhos, bate-papos, celebrações, músicas, stands, amizades e comunhão, muita comunhão.

 Confesso, porém, que duas pessoas distintas imprimiram em minha alma marcas especiais: De um lado, Pr. Paschoal Piragine, pastor da Igreja anfitriã (PIB de Curitiba-PR) e atual presidente da CBB. Ele testemunhou sua alegria pela juventude batista que há em nosso país. Fez um paralelo com a atual situação de outros países e, firmemente, garantiu que temos motivos de sobra para comemorar. Segundo ele, Deus tem levantado uma geração de jovens comprometidos com Jesus e cheios de vigor no solo brasileiro.

Ao ouvir essas palavras, rapidamente imaginei os milhares de jovens e adolescentes que temos espalhados Brasil afora. Numa espécie de flash, visualizei este poderoso exército que Deus tem arregimentado, desde os grandes e agitados centros urbanos, aos distantes sertões, povoados e comunidades litorâneas e ribeirinhas do nosso país. Por alguns instantes imaginei, emocionado, as formas como Deus tem manifestado seu poder e glória na (e através da) juventude batista brasileira.

São jovens que foram alcançados por Jesus e que, apesar das dificuldades desta época e de suas realidades locais, querem viver e, se for o caso, até morrer por Ele. Uma geração que decidiu viver intensamente os propósitos de Deus, mesmo que, para isso, tenha que gastar os melhores anos da sua vida. Jovens que tem em comum um desejo: oferecer seus corpos para que neles sejam gravadas as “marcas de Cristo”. Que realidade cativante.

 Outra palavra que me atingiu em cheio foi a do Pr. Ed René Kivitz, da Igreja Batista da Água Branca-SP. Com acuidade intelectual, e com o coração encharcado de temor a Deus, ele cativou meu coração. Com seu estilo sereno e envolvente, provocou nas centenas de congressistas ali presentes uma santa e inevitável inquietação. Kivitz brindou-nos com sua percepção bíblica sobre o que significa levar as marcas de Cristo. Apontou para Paulo, apóstolo, como grande e imitável exemplo.

Em sua segunda mensagem, Pr. Ed René Kivitz desafiou os congressistas a devotarem sua fé apenas à Palavra, mesmo que isso implique em quebrar alguns paradigmas cuja base e autoridade são meramente históricos, mas sem adequada sustentação bíblica (a exemplo das usuais compressões evangélicas sobre os conceitos de “culto”, “clero”, “domingo” e “templo”). Prosseguindo, testemunhou acerca de dois fatores que foram decisivos para sua solidificação espiritual: ser membro, na infância e juventude, de uma igreja que amava e estudava a Bíblia e, em segundo lugar, ter relacionamentos com pessoas que lhe serviam de exemplo. Estes dois elementos foram, segundo Kivitz, base para consolidação de sua essência.

Após estas palavras tão provocativas, mergulhei num profundo momento de reflexão. Avaliei minha vida em todas as suas esferas. Questionei, honestamente, a influência que tenho recebido e exercido do (e no) mundo. Decepcionado, percebi que tenho feito muito pouco para o meu Deus. Senti que há uma disparidade absurda entre minha capacidade/tempo/habilidades e os frutos que tenho produzido para Ele. Detectei falhas e omissões que, por mera negligência, transformaram-se no rastro deixado por mim ao longo do caminho. Mas, graças a Deus, despertei a tempo de mudar, radicalmente, o rumo da minha vida. Decidi entregar-me inteiramente nas mãos do Autor das nossas vidas, afim de que Ele mesmo reescreva, daqui para frente, todos, absolutamente todos os capítulos da minha história.

Dessa forma, ao retornar do Despertar 2011, trouxe na bagagem muito mais do que saudade ou boas recordações. Trouxe um novo vigor; uma nova motivação. Assumi, diante do meu Deus, o compromisso de ser e de dar o melhor de mim para expansão do Reino. Também decidi, convictamente, viver para a glória absoluta do meu Salvador. Quero, daqui para frente, viver dessa maneira, afim de que, com a mesma autoridade do Apóstolo, possa silenciar a qualquer um, argumentando: “Desde agora, ninguém me inquiete; porque trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus” (Gálatas 6.17 RC). Atingindo esse nível poderei exultar de gratidão ao meu Deus, pois terei alcançado a minha maior glória e o meu mais valioso troféu.

Pr. Francisco Helder Sousa Cardoso

 

O MÉDICO QUE EXPERIMENTOU A CURA

Publicado: 24 de abril de 2011 em Sem categoria

“A sua fama, porém, se espalhava cada vez mais, e grande multidões se ajuntavam para ouvi-lo e serem curadas de suas doenças. Mas ele se retirava para lugares desertos, e ali orava” (Lc 5.15,16) 

É quase unânime a convicção de que Dr. Lucas, o médico amado (Cl 4.14), tenha sido o autor deste belo Evangelho. Desde o início da narrativa ele deixou clara sua intenção de analisar sistematicamente as evidências. Seu objetivo era “investigar tudo cuidadosamente desde o começo e escrever uma narrativa em ordem” (Lc 1.3).

O olhar metódico, organizado e racional eram marcas distintivas na vida de Lucas. Talvez os vários anos de estudo e o exercício da medicina o tenham deixado assim. Sendo ou não por esta razão, fato é que Lucas era mestre em capturar detalhes riquíssimos. Foi dele, por exemplo, a informação de que Jesus sofrera um fenômeno raríssimo na medicina: a Hematidrose (suor sanguinolento). Nem Mateus, Marcos ou João o fizeram, mas apenas Lucas. A perícia do seu olhar clínico era impressionante, mas não para por aí.

Outros detalhes curiosos na narrativa de Lucas merecem destaque. O Dr. Lucas, cristão recém-convertido, dá evidências da sua nova natureza. Apesar do rigor técnico com que sempre viu a vida, ele agora demonstra ser alguém sensível à realidade espiritual. Detalhes encontrados no evangelho escrito por ele atestam isso.

No capítulo 6, versículos 12 a 16, Lucas narra a escolha dos doze Apóstolos. Mas fez questão de mencionar o que antecedeu aquela importante ocasião: “Naqueles dias, Jesus se retirou para um monte a fim de orar; e passou a noite toda orando a Deus” (Lc 6.12). Mateus (10.1-4) e Marcos (3.13-19) também registraram este solene momento, mas apenas Lucas enfatizou a intensa madrugada de oração que o precedeu.

Lucas mirou em algo que era inegociável na vida de Jesus: oração. Foi dele a observação de que, apesar da fama que crescia cada vez mais, Jesus sempre se retirava para lugares desertos a fim de orar (Lc 5.15,16). Também mencionou que Ele, em meio à grande aflição, orava cada vez mais (Lc 22.44). Lucas se rendeu, encantado, à rotina devocional de Jesus. A simplicidade espiritual do Mestre cativou a alma daquele médico.

Fica aqui uma importante lição. Apesar da nossa realidade social, acadêmica, financeira, devemos rogar a Deus que torne nossa alma sensível ao seu manifestar diário. Quase sempre nossa agenda pós-moderna frenética atropela e mata a sensibilidade da nossa alma. Somos atingidos por uma espécie de torpor espiritual. Não mais conseguimos ver e sentir o manifestar de Deus em detalhes do nosso cotidiano. E esse é um prejuízo danoso e quase irreparável.

É necessidade prioritária nos (re) encantarmos com a beleza do nosso Deus, manifestada, quase sempre, em detalhes minúsculos da vida. Confinar nossa intimidade com Deus às reuniões dominicais é assinar decreto de morte para nossa vida espiritual. Se negligenciarmos este aspecto importante da caminhada cristã, sofreremos as conseqüências. Talvez, por esta razão, Paulo, contemporâneo do Dr. Lucas, alertou que havia entre os cristãos coríntios “muitos fracos, doentes e não poucos que dormiam” (1 Co 11.30, adaptado). Se não tivermos cuidado, poderemos, sem perceber, trilhar este nefasto caminho.

É tempo de fincarmos estacas, elegendo o que realmente deve ser prioridade em nossas vidas. E que demos um basta à mornidão espiritual. Que nos extasiemos a cada nova oração, leitura bíblica, comunhão. E que estejamos sensíveis ao manifestar diário de Deus em nossas vidas. Amém!

Pr. Francisco Helder Sousa Cardoso