Arquivo de novembro, 2009

NO DIA DO MEU ANIVERSÁRIO…

Publicado: 13 de novembro de 2009 em Sem categoria

Mais um 14 de novembro bate às portas. Chega o dia de celebrar mais um ano do meu nascimento. Emoções mil se avolumam nos vários cômodos do meu coração. Mas nenhuma alcança maior destaque que a emoção que sinto ao lembrar-me do meu pai. Desde 2004, até hoje, sempre me vejo assaltado brutalmente pelo mais terrível dos meliantes: a saudade. Entenderás melhor o que vai pelo meu coração, neste momento, quando leres o texto abaixo…

Beijo carinhoso a todos

Francisco Helder


Breve tributo ao meu pai

paiEste será o texto mais fácil que já terei preparado em minha vida. Para tecê-lo, não necessitarei de conhecimento prévio, adquirido de outros autores, acerca de certos temas. Nem precisarei imaginar como será recebido pelo meu público-alvo. Não me deterei tanto às corretas flexões verbais, concordâncias, sintaxes textuais, e àquela celeuma lingüística que, por vezes, nos escraviza. Ele será simples, pois, diferentemente dos outros, o conceberei apenas mediante a voz do coração.

Sim, quero ser simples; menino. Quero dar vazão a um sentimento nostálgico…

Canalizar uma dor: SAUDADE. Expô-la não pelo mérito do sentimentalismo, mas pela glória do tributo, inda que tardio…

Eu o vi partir (pai) definitivamente no dia 5 de julho de 2004. Ó, pai, como doeu… Doeu porque nem em sonho imaginava ser aquele o último dia em que estarias sobre a terra. Porque não imaginei que teu jovem coração (de apenas 42 anos), que tantas vezes por mim, em emoção acelerou, insistiria agora, covardemente, em parar.

Mesmo sendo ainda tão moço, vi-me dentro de uma realidade atroz, que escraviza impiedosamente. Senti-me, por um minuto, só…

Não era a dor da orfandade, mas era a dor da história inacabada. Como se privassem o escritor da sua pena e papel. Ele continuaria tendo inspiração, emoção, afeição… Mas onde expressaria, ó Deus, tudo isso? Não é fácil ater tanto sentimento a um cubículo cardíaco ou mental.

Queria, pai, tê-lo às tardinhas, no quintal de casa, assistindo aos jogos;  me repreendendo por alguma desventura própria da minha infância ou mocidade… Queria sua benção diária, pois a última que me deste, faz tanto tempo, nem me lembro mais…

Queria teu sorriso, tua curta barba sentir ao abraçar-me; vê-lo voltando para casa, a qualquer hora do dia; e, com um sorriso moleque, poder dizer aos que estivessem comigo: “Lá vem o meu pai”.

Pai, você também foi herói. Não angariaste nenhuma riqueza material; nem honras humanas; nem insígnias; nunca vi suas condecorações; poucos e nobres eram os comentários que de ti ouvi… Mas você era (e sempre será!) o meu amado pai. E isso me basta!

Como você faz falta…

Só Deus sabe a dor que passei quando, em minha formatura no magistério, corri o olhar entre o público presente e não o vi. Chorei… Imaginei por um instante que estavas ali, sorrindo, me aplaudindo, e preparando-se para me abraçar…

Só Deus sabe, pai, quando, realizando um dos meus sonhos, tinha em mãos um exemplar de um conhecido jornal, e sob uma matéria, meu nome (imagem do teu). Pensei o quanto se orgulharia de mim; o quanto me abraçaria; a quantas pessoas diria…  Só que, mais uma vez, ficou circunscrito ao meu coração. Inevitavelmente, e mais uma vez, assaltaram-me as lágrimas.

Se eu pudesse voltar atrás (não posso!), refaria tudo. Seria melhor. Seria um melhor filho, mais atencioso, mais presente; diria mais vezes “te amo”. Abraçaria-te mais (pois que falta me fazes…).

Hoje, em mais uma aniversário de meu nascimento (14/11), vou lembrar-me de ti. De como desejarias me felicitar por esta data, lembrando-me pormenores do dia em que nasci; peculiaridades de minha infância; detalhes da minha pequenez…  Mas com Deus, meu Pai eterno, compartilharei essa dor que, vez por outra, aparece fantasiada de saudade…

Prometo que a tua memória não será apagada (lembras da promessa balbuciada sobre seu peito frio e inerte, pai??). Prometo que sobre a terra deixaste um digno homem. Honrarei teu nome, e sobre ele edificarei um memorial. Você é inesquecível…

Saudades intensas e inexoráveis do meu pai…


[1] Em memória de Francisco de Assis Cardoso da Silva, meu inesquecível pai.

 

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