Arquivo de maio, 2009

Com poesia a alma canta…

Publicado: 18 de maio de 2009 em Sem categoria

ouvir estrelas

OUVIR ESTRELAS

(Olavo Bilac)

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…

E conversamos toda noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir o sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizes, quando não estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas”.

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O VALOR DA LEITURA

Publicado: 13 de maio de 2009 em Sem categoria

bebe lendo livro

“Uma pessoa vale pelo que diz,

diz pelo que pensa,

pensa pelo que lê”.

À minha mãe, com carinho…

Publicado: 8 de maio de 2009 em Sem categoria

À minha mãe*…

Dia das mães, desde que saí do ninho, tem sido assim: recheado de nostalgia, com emoções à flor da pele, mas acima de tudo, pautado pela agonizante saudade. É impossível não rememorar os doces momentos vividos ao lado de quem me deu tanto de si e, geralmente, não pediu nada em troca. Minha mãe é isso… um dos amores que, acredito eu, talvez mais se assemelhe ao amor do Pai do céu. Amor gracioso, imerecido, angelical…

Permita-me falar mais um pouco, mesmo que de modo deficiente, desse amor. Como já disse noutro texto, um dos meus maiores problemas é sentir-me mudo diante daquilo que me causa forte admiração. Assim, falecem-me o poder da linguagem e a virtude da definição. O coração sente, mas a boca não diz o que vai pela região do encanto e apreço. Mas deixe-me tentar falar, mesmo que em curtas linhas, parte do que há agora pulsando em minha alma.

Sou fã da minha mãe. Para que eu fosse transformado no que sou hoje, muita gente deu sua contribuição. Mas ninguém deu tanto quanto a minha mãe. Desde cedo eu não entendia como aquele anjo nunca adoecia nem se cansava, nunca tinha medo e sempre encontrava meios de me fazer feliz. Como ela conseguia, com meio quilo de carne moída, alimentar uma família tão grande como a nossa…? Nunca entendi que olhar tão profundo era o seu, que conseguia até mesmo saber dos meus sentimentos, medos, alegrias, dores, ainda que eu não dissesse uma palavra sequer… como era bom, mãe, saber que não importava qual fosse o problema, tendo você por perto, tudo seria mais fácil de resolver…

Minha mãe era assim… Não tinha vergonha de nos amar como éramos, de entrar gritando em um hospital com um filho doente nos braços, de enfrentar o mundo para nos proteger. Mulher de fibra, de aço! Mas que, de vez em quando, não continha as lágrimas diante do simples pensamento de nos ver sofrer…

Como era bom ter você por perto, mãe. Quando eu era criança a via como heroína. Ledo engano. Vejo hoje que você é muito, muito mais. Afinal de contas, quem conseguiria, sozinha e dignamente, criar cinco filhos, enfrentando as amargas dificuldades de uma vida marcada pelos poucos recursos e limitadíssimas condições.

Quantas batalhas enfrentadas: nossa infância, enfermidades, toda a despesa de uma vida escolar, e mesmo assim, a senhora desempenhou com excelência esse papel que Deus confiou apenas a você, mãe.

Obrigado. Sem você eu nada seria. Agora, mais do que nunca, a saudade me sufoca. Há um grito dentro de mim. Um desejo incontido de te ver, cuidar de você, te abraçar, dizer que te amo…

Você é o melhor e o maior presente que recebi de Deus. Prometo me esforçar para honrar seu amor, pois eu sei, sinceramente, que nunca poderei pagá-lo.

Te amo, além da eternidade e muito mais além do que as palavras possam transmitir. Te amo.

Com amor

Francisco Helder Sousa Cardoso

* Em homenagem à minha querida mãe, D. Graciema de Sousa Cardoso

Belém-pará (08.05.2009), por ocasião do dia das mães

Dia das mães…

Publicado: 5 de maio de 2009 em Sem categoria
NOTA: Estou elaborando alguns escritos em homenagem à terceira data mais festiva e emocionante, do ano, para mim: o dia das mães. E para iniciar a homenagem, sirvo-lhes de material de muita qualidade: um texto lindíssimo de Drummond, sobre as nossas jóias tão preciosas (nossas mães). Qualquer similaridade da imagem abaixo com “alguém” será mera coincidência (risos). Boa leitura todos!

mae2

PARA SEMPRE (às mães)

Carlos Drummond Andrade

“Por que Deus permite que as mães vão se embora?
Mãe não tem limite.
É tempo sem hora,
luz que não apaga quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido na pele enrugada.
água pura, ar puro, puro pensamento.
Morrer, acontece com o que é breve
e passa sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é a eternidade.
Por que Deus se lembra (mistério profundo)
de tirá-la um dia?…
Fosse eu rei do mundo,
baixava uma lei:
“Mãe, não morre nunca.
Mãe ficará sempre junto de seu filho.
E ele, velho embora,
Será pequenino feito grão de milho”

sozinho

O badalado filme “Tropa de Elite”, lançado no Brasil há alguns meses, foi mesmo marcante. Uma das partes mais interessantes (além da cômica “pede pra sair, pede pra sair!”) pode ser vista logo no início, quando o Capitão Nascimento, protagonista da trama, elenca as três espinhosas opções de quem deseja ser um policial na realidade carioca: “Ou se omite, ou se corrompe ou vai à luta”.

Não quero ser policial. Não tenho “nervos” pra isso. Nem mesmo quando criança me sentia cativado pela distinta função. Mesmo assim, vejo-me, na condição atual (aspirante ao ministério pastoral!), servido das mesmas três opções listadas pelo Capitão Nascimento.

Para ser pastor é preciso ter sangue frio, pés no chão e invejável firmeza para decidir entre se omitir, corromper ou ir à luta. A mais escolhida de todas, acredito, é se omitir. Tenho visto que o principal utensílio mobiliar do ministério de muitos pastores tem sido um enorme “tapete”, que levam para onde vão. Serve para esconder uma infinidade de questões que eles, por incapacidade ou simples falta de vontade, não conseguem resolver. Pastores que não conseguem dar respostas consistentes a problemas e questões inquietantes, e que são de sua competência resolver. Muitas vezes o agonizante silêncio impera. É mais fácil se refugiar em seus “inofensivos” púlpitos e gabinetes e ficar, como cantava o indesejado Raul Seixas, “esperando a morte chegar…”

Causa-me aflição o comodismo a que se entregou a maioria dos (futuros!) colegas pastores. Muitos não conseguem demonstrar a fibra que (espero eu!) há em suas estruturas de fé. Vemos o país se esbaldar irresponsavelmente nos debates em relação ao aborto, homofobia, células-tronco, pedofilia, corrupção e tantas outras aberrações, enquanto nossos nobres “ministros”, em seus aconchegantes ninhos eclesiásticos, aguardam, na melhor das hipóteses, a volta de nosso Senhor Jesus.

Sempre bati na tecla de que temos, em nossos arraiais, mentes pensantes capazes de oferecer sólidas respostas às questões morais, sociais e espirituais que nos são, quase que diariamente, apresentadas. Mas, por algum motivo, muitos não o fazem…  E se o mundo não encontra as respostas para suas inquietações em nós, pregadores da Santa Palavra, continuará buscando naqueles que, perversamente, drenam dos esgotos de suas almas, em moldes de soluções, as piores podridões imagináveis. Se fossemos membros de uma corporação policial qualquer, acredito que, às pressas, seríamos, pela constante e vergonhosa postura de omissão, exonerados.

Outra posição muito apreciada por pastores tem sido a de se corromper. Isso mesmo! Muitos optam, a sangue frio, pela corrupção. Homens aparentemente íntegros, cuja personalidade, caráter e fé vemos, com surpresa, desabar diante de nós.

Muitas vezes a ambição do poder político (mesmo que na esfera denominacional) furta a dignidade de alguns líderes. Tais permutam a preços ínfimos o seu imensurável valor; outros a vendem pela comodidade de cargos; alguns pelas teias pegajosas da avassaladora inveja ministerial ou ainda pelo veneno mortífero da perversão sexual, que geralmente lhes é servido na taça de ouro da sedução… Pastores que, assim como eu e você, viviam com simplicidade debaixo da orientação do Pai. Todavia, vacilantes, deixaram de lado o peso de sua vocação, passando, então, a ser tragados pela vaidade; não recorreram à misericórdia divina, e hoje estão na sarjeta, baleados, sangrando, dando os ofegantes suspiros finais de seus ministérios….

Mas há um grupo em que desejo ardentemente ingressar e permanecer. É o grupo dos que vão à luta. Entrar nele é fácil. Geralmente sua porta de entrada é a empolgação. Porém, difícil mesmo é nele se manter. Seu treinamento seletivo não se dá nas selvas, entre as feras da mata virgem, nem com a privação de alimento ou sujeição às horripilantes formas de hierarquia militar. Não, não é assim. Oxalá fosse, mas não é.

No ministério pastoral, nem sempre nossa maior batalha será o crime organizado; nosso maior ofensor também não serão os traficantes; e também os métodos de inibição contra nós usados não serão medidos apenas em calibres…

Tremo só de pensar que nossos maiores “inimigos” poderão estar vestidos no mesmo fardamento que nós; que algumas vezes o “crime organizado” se manifestará camuflado de “grupinhos” da igreja: As famosas “panelinhas”. Elas são diabólicas. Altamente nocivas. Minam nossa paciência, fragmentam nossos ternos sentimentos e fazem ruir nossa paz ministerial. É difícil não temê-los…

Também nossos maiores ofensores não serão os traficantes, mas os adeptos da cobiça, da inveja, das perversas maquinações. Pessoas que estarão de plantão às abas do nosso tapete, esperando apenas o momento de, maliciosamente, nos derrubar, nem que seja apenas para ouvir o estrondo da queda.

E sei que o que mais nos causará inibição não serão os calibres 22 ou 38 das armas de alguns, mas suas assassinas palavras. Algumas serão colhidas no jardim do inferno. Seu enganoso perfume, às vezes disfarçado em forma de palavras de ordem e zelo pela igreja, camuflará sua ambição maligna de vingança, de auto-satisfação, de sórdido desejo de mostrar quem de fato tem a razão. Não sabem eles que paus e pedras nos ferem os ossos, mas que as palavras que nos dizem, realmente, nos machucam. E por que não apreciar a inspiração poética, lembrando-nos que “[…] desavenças e rancores não convêm a pecadores salvos pelo amor” (Hino 380 CC). Bom mesmo seria que não estivéssemos perto quando o gatilho de línguas e corações envenenados fosse disparado. Porém, nem sempre poderemos nos dar a esse luxo. Tratemos, pois, de obter bons escudos e coletes à prova dos tais…

Precisamos, para desempenho deste desafio, cerrar nossos corações, muitas vezes, com ferrolhos semelhantes aos de palácios. Fazer-nos de surdos, insensíveis; botar o coração nas costas, e uma pedra de gelo em seu lugar, a fim de podermos, mesmo ante tantas barbáries cometidas por algumas “ovelhas” e “colegas”, serenamente, e com a graça de Deus, permanecer fiéis. Mas isso nem sempre será fácil. É missão para super-herói; aqueles que têm partes de aço (nesse caso, seriam os nervos). Tem que ser gigante para suportar tudo isso.

E é exatamente aí que está o diferencial. Sabemos que nem todos almejam ou, simplesmente, tem forças para conseguir esta façanha. No entanto, Deus nos chama para, com exemplar galhardia, nos engajarmos nessa audaciosa missão, crendo que Ele nos dará os meios para, corajosamente, cumpri-la.

Como motivadora retaguarda ele nos assegura que “nunca nos deixará, nem nos abandonará(Hb 13.5, grifo meu), “mas estará conosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28.20). Nosso Comandante também nos acalenta a alma, via palavras do experiente Apóstolo Paulo, asseverando que “Aquele que começou a boa obra em nós há de completá-la até o dia de Cristo” (Fp 1.6).

E se você, mesmo em meio às duras realidades anteriormente expostas, deseja ingressar na tropa de elite celeste, que ama sua “farda”, e está disposto a dar sua vida pelo Reino, junte-se a nós.

Do contrário (prometo não lhe segurar pelo colarinho!), sugiro-lhe, sem maldade, a fineza de atender às palavras do Capitão Nascimento: “Pede pra sair, pede pra sair, pede pra sair”.

Francisco Helder Sousa Cardoso


POSSO ME ESPELHAR EM VOCÊ?

Publicado: 1 de maio de 2009 em Sem categoria

Posso me espelhar em você?Ser jovem não é fácil! Saber que muitas idéias que defendo hoje com tanta empolgação serão, num futuro bem próximo, causa de minha vergonha, me deixa no mínimo pensativo. Definitivamente, preciso eleger esta fase como a de maior cautela do meu viver.

Ainda mais se o dominical “Fantástico” me diz que estou na fase (casa dos 20 anos) de maior e mais “afiado” vigor mental.  Confesso que a notícia me pegou de surpresa. Nem em sonho imaginava que estes seriam os dias áureos e de melhor performance de minha mente. Preciso, então, me esforçar para extrair o máximo possível de vantagem deste primoroso momento (mas isto com redobrada cautela).  Mas sejamos realistas: será mesmo que o ápice de nossa capacidade entra em sua colossal erupção exatamente agora? Se for, estou perdido! Nem me preparei direito para isso.

Mas ainda que seja fato (e não simplesmente “boato”), não me deterei demasiadamente a ele. Já elegi a principal forma com a qual espero que minha vida seja lapidada: através da observação de outras vidas. Sei que na celeuma que é minha construção intelectual, moral, social e espiritual, outros fatores também serão imprescindíveis: um pouquinho de dor aqui, um “apertozinho” acolá, uma decepção de vez em quando; uma “quebradinha de cara” vez por outra… coisa básica, só pra não ver brotar do coração a sensação de auto-suficiência. Assim, não rejeito tais experiências por completo, mas torço para que sejam suavizados pelas mãos do Mestre, ou que pelo menos Ele me municie com abastada serenidade e sensatez para transitar por cada uma delas.

Visto que já compartilhei parte das ferramentas que serão usadas em meu aprimoramento, resta apenas pedir seu apoio para me ajudar a encontrar algo fundamental para conclusão desse processo construtivo: o projeto (ou, a planta da construção). Sim, pois preciso me referenciar em algo. Não posso começar uma construção ao léu, “desembestado” (como se diz no Nordeste), sem mensurações e orientações alinhadas por bom um prumo. Preciso de um referencial. Eis o coração deste artigo: Preciso de um referencial!

Quando ambicionei elaborar um texto nestes moldes, o fiz com o desejo de fomentar reflexão acerca do legado que deixaremos (você e eu!) para as gerações seguintes à nossa. Não almejo colecionar ícones infalíveis e super heróis da vida pastoral. Não! Como cito aqui, não espero, de maneira alguma, encontrar homens perfeitos, mas sim, alguém que possa servir de modelo para minha lida ministerial. E isso biblicamente não é errado. Vemos, por exemplo, o autor de Hebreus orientar: “Lembrai-vos dos vossos pastores, que vos falaram a palavra de Deus, a fé dos quais imitai, atentando para a sua maneira de viver.” (Hb 13:7). Não que eu almeje seguir tintim por tintim a sua forma de proceder, mas que eu o veja como exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, no amor, no espírito, na fé, na pureza.” (1Tm 4:12).  Pois o mesmo Paulo que se considerava miserável e indigno, entendia que, pelo seu proceder cristão, poderia sem medo sugerir: “Sejam meus imitadores como eu sou de Cristo”. E então, você aceita o desafio?

Como diz Rick Warren, o que se espera de nós não é PERFEIÇÃO, mas SINCERIDADE. Se eu descobrir que você não é perfeito, não ficarei desapontado; muito pelo contrário, o abraçarei. Afinal de contas, seria muito difícil para mim alcançar o patamar de um impoluto, inerrante e infalível referencial de vida. Porém, o que espero mesmo é vislumbrar um homem humilde, sereno, sensato, que mesmo envolto em densa ira, desapontamento, tristeza e dor, consiga ser sincero a ponto de demonstrar a realidade sobre si, revelando também dependência total da misericórdia e graça diárias de Deus. Pois você reconhece, humildemente, que sem Ele você nada é… Fico meio confuso quando tentam associar a intolerância e o apego inegociável à “santa doutrina”, que maioria das vezes gera obscuro ódio, dissídia e rancor, com o evangelho de nosso adorável e meigo Salvador. Realidade esta gritante e espúria. Nem com a minha mente na afiada casa dos 20 anos consigo decifrar esse enigmático paradoxo…

Não quero que sejam meus referenciais homens extremamente “eficazes” e “certinhos”. Não sei por que, mas eles exalam um aroma semelhante ao daqueles outros homens apelidados por Jesus de “raça de víboras” e “sepulcros caiados” (e.g. Mt 3.7).

Mas espere um pouco! Quase me esqueci de algo fundamental. Nesse processo seletivo é importante frisar que um dos meus maiores temores é o de ter como referencial alguém de vida irrelevante. Tenho medo de ser um pastor insignificante para a sociedade ou, quem sabe até, um mero prestador de serviços religiosos, ou ainda, como pincela o Pr. Ricardo Gondim em seus escritos, um “pastor com egolatrias tolas como o fascínio por títulos e cargos”. Afinal de contas, é tolice brincar de importante usando o nome de Deus.

Ufa! Que tarefa difícil. Mas não acabou ainda; minha busca continua! Preciso de pessoas em que eu possa me espelhar (Não se preocupe, Jesus é o primeiríssimo da lista! Mas não se acanhe, você pode ser o seguinte!). Já montei uma lista com alguns nomes. Tenho sondado, ética e respeitosamente, tais vidas. Confesso que algumas coisas não são tão atraentes assim. Mas, fazer o quê? Somos seres dotados de imperfeições, falhas, cismas e etc. Mas isso não vem ao caso agora. A questão é: que tipo de referencial estamos sendo aos jovens, adolescentes e crianças de nossos lares e denominação? Pelas nossas práticas e posturas geramos neles amor pela obra e denominação, pelo próximo e pelo próprio Deus? Sinceramente, algumas vezes, quando me deparo com algumas meninices sendo protagonizadas por nossos líderes familiares e institucionais/denominacionais, sobre questiúnculas fúteis e desnecessárias e quando contemplo cidadãos insensíveis aos gritos e agruras dos seus semelhantes; quando vejo tudo isso, confesso, esmoreço… Mas não desanimo! Apenas comecei a decidir no meu coração quem serão meus referencias de postura social, familiar e denominacional. Uma segunda galeria também já estou montando: a dos que representam tudo o que jamais quero ser como pai, pastor, cidadão, líder e servo…

E você, aceita o desafio de ser ponto cardeal para mim e para essa turma de jovens e crianças que está surgindo, paulatinamente, e que depende, e muito, do seu legado? Podemos nos espelhar em você?

Francisco HELDER Sousa Cardoso

raio-x1O conceituado ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa, foi mais uma vez notícia nacional. Todos os principais veículos de comunicação do país, sejam os impressos, virtuais ou os televisivos, alardearam seu nome associando-o ao inacreditável. Parece até brincadeira, mas o “Brasileiro do ano 2007” (título concedido pela revista IstoÉ, edição 07.12.07)), que virou herói nestas bandas do mundo por botar no banco dos réus 40 “mensaleiros”, “desceu do salto” e trocou farpas em tom áspero e agressivo com o colega, Ministro Gilmar Mendes, e isso em plena sala de audiência da corte do STF (dia 22.04.09).

O polido ministro não agüentou: numa erupção vulcânica, larvas de raiva jorraram de seu coração. Dirigindo-se ao Ministro Gilmar Mendes, Barbosa, em indomável desabafo, explodiu: “Vossa Excelência me respeite, eu não sou seus capangas lá de Mato Grosso!”. Que acusação ferina. Tenho quase certeza que o “Brasileiro do ano 2007” vai ter troco por tão inflamada afirmação.

Mas não condeno o ministro precipitadamente. Sabe Deus o que o levou a assumir aquela postura. Sua atitude, mesmo que indecorosa, foi um tanto corajosa e didática. Confesso que vê-lo protagonizando tal cena me fez refletir sobre os limites inimagináveis a que podemos chegar. Há quanto tempo o ministro Barbosa não vinha guardando aquela mágoa… Talvez nem em sonho imaginasse que, naquele dia e circunstância, seria refém de um pequeno mas nocivo sentimento: a raiva. Acho que agora entendo porque alguém, que não me lembro quem, me alertou anos atrás que, nos 5 primeiros minutos de raiva, fazemos coisas das quais poderemos nos arrepender para o resto de nossas vidas. Como tal alerta faz sentido, tratemos de nos policiar.

Dessa forma, advogo nesse texto que a RAIVA tem uma vantagem (vantagem?!): trazer à tona o que há escondido em nossos corações. Quantos cônjuges, namorados, ovelhas, pastores, colegas de serviço e amigos que aparentemente concordam com tudo (ou quase tudo) que fazemos ou dizemos, mas que, num assalto de raiva, vomitam sobre nós toda a realidade sobre o que de fato pensam? Mas não é só a raiva que faz isso não.

O que falar sobre o ÁLCOOL? Alguém, sabiamente, já sugeriu que “quando o álcool entra a verdade sai”. Homens e mulheres aparentemente recatados e polidos, mas que, após a ingestão da “marvada” cachaça, cerveja, vinho e outros associados ao álcool, revelam um outro lado, digamos, no mínimo, inesperado. Com o uso da razão, os homens escondem muitas verdades sobre si. Sob o efeito do álcool, a tampa do baú é aberta e algumas dessas verdades, sejam boas ou más, são lançadas fora.

Outro instrumento poderoso para fazer o raio-x de nossa alma é o PODER. “Quer saber quem realmente é uma pessoa? Dê poder em suas mãos”, afirmou outro sábio. O poder é uma “faca de dois gumes”. Manejado por nós com responsabilidade, converte-se em benção para muitas vidas. Mentoreado de forma medíocre, pode ser fatal e destruidor. Quando as pessoas estão em posição de poder, tudo que há dentro delas vêm à tona. Algumas revelam um lado agregador, companheiro e edificante. Outras, pelo contrário, revelam o monstro asqueroso que há dentro de si. Mesmo que sem querer, elas deixam transparecer seu entorpecente apetite pela tirania. A ânsia de mandar e desmandar aprisiona suas almas… Seu caráter, por vezes, se dilui no vício de poder dominar. Nessa brincadeira perigosa de poder, muitos, nos arraiais denominacionais, usurpam até o próprio Deus, considerando-se infalíveis, imutáveis, intocáveis, insubstituíveis… Pessoas aparentemente íntegras, cristãs e humildes, mas que, ao assumirem funções e cargos que demandam poder, resolvem também lançar mão do cetro e coroa reais, e acomodando-se em seus tronos imaginários, começam a brincar de ser Deus… Divertido? Parece brincadeira? Oxalá fosse…

Há, ainda, um quarto avançadíssimo “equipamento” de raio-x que traz às claras toda a realidade sobre nós: a BÍBLIA. A Palavra de Deus é como um espelho pelo qual podemos identificar todos os defeitos, feridas e imperfeições de nossa alma. Sim, pois diante dela, nossas almas ficam transparentes. Toda a realidade sobre nós fica nua e patente. As nossas máscaras caem e imediatamente reconhecemos quais os maiores anseios e necessidades que temos. Mas graças a Deus que esta mesma Palavra também se transforma, simultaneamente, em lavatório para as nossas almas, nos purificando, consoante arrependimento, de todos os nossos muitos erros, validando então a afirmação de que “se confessarmos os nossos pecados, Ele (Deus) é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça” (I João 1.9, adaptado). ALELUIA! “O sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo pecado (I João 1.7).

E dEle (Jesus), a mais áspera afirmação que recebemos é mais ou menos assim: “Eu o amo como você é; mas Me recuso a deixá-lo como você está; seus pecados (inclusive a raiva maligna, o vício e o egoísmo do poder) o afastam de mim; mas há uma saída: deixe-me entrar em sua vida, transformar seu coração, fazendo nele morada, para de você nunca mais me afastar”. A Palavra de Deus tem efeito terapêutico e cirúrgico. Sua eficácia opera em nossa regeneração de modo inigualável, perfilando-nos, a cada dia, à medida exata da vontade do Pai.

Enquanto o Ministro Joaquim Barbosa aguarda a manifestação do STF para dizer qual penalidade ele sofrerá por sua reprovável postura, deixe-me alertá-lo a que não caia no mesmo erro que ele. No trato para com os homens vale a pena ouvir Molière, dramaturgo francês distinto, quando diz que “convém em certas ocasiões ocultar o que se traz no coração”. Não vigiar suas palavras na hora da raiva e sair pulverizando por aí suas más impressões sobre os outros, poderá levá-lo a sofrer duras sentenças. “Tens visto um homem precipitado no falar? Maior esperança há para um tolo do que para ele”, pincelou Salomão ( Pv 29.20).

Lembra do álcool? Pois é, ele pode fazê-lo fraquejar e a muitos vexames ser exposto. O poder que deténs hoje (ou lutas pra conseguir!), mais cedo ou mais tarde, pela ação do tempo, não respeitará seus diplomas, manobras políticas e acumulado conhecimento: logo, logo fugirá, inevitavelmente, de suas mãos. Verás que não valeu a pena gastar tanto tempo e energia correndo atrás dele…

Já o pecado… esse maldito aqui e acolá há de nos encontrar. Mas para ele, uma vez estando em Cristo (e mesmo sofrendo acusações mais bem elaboradas e severas que as do STF), poderemos gritar, confiantes e de cabeça erguida, que “temos um ADVOGADO para com o PAI: JESUS CRISTO, O JUSTO” (I João 2.1).

Francisco Helder Sousa Cardoso