CIRCO GOSPEL APÓIA CANDIDATURA DOS SEUS MENINOS DE RECADO

Publicado: 1 de setembro de 2010 em Sem categoria

“QUERO REPRESENTAR O POVO EVANGÉLICO…”. Este é o slogan predileto dos candidatos a “messias-político” do povo gospel. Eis a “divinal” estratégia: abarrotar as assembléias legislativas, Governos Estaduais, Câmara e Senado Federal (e quiçá a Presidência da República) com os “ungidos do Senhor”.

A lógica é simples: quanto mais, melhor. Quanto mais evangélicos infiltrados na vida político-partidária, mais chances de alcançar as “ambições espirituais” do “povo de Deus”. Já posso até visualizar a cena dos nossos fantoches políticos (digo, representantes) berrando nas tribunas dos legislativos brasileiros, advogando, por exemplo, o sagrado “direito” evangélico de quintuplicar os decibéis sonoros dos já discretíssimos e quase imperceptíveis cultos.

E não para por aí. Há muitas outras “vantagens” de se ter representantes oficias. Imagine, por exemplo, que ter alguns dos “nossos” no poder executivo facilitaria grandemente nossa missão cristã nesta terra: ônibus para congressos e retiros, ofertas para construção dos nossos templos, patrocínios para realização dos nossos mega-shows gospel, empregos para nós ou nossos parentes e um sem número de outras regalias. Viram só?! Que beleza, não é mesmo?

Mas, espere um pouco. “Interromperam nossa programação textual oficial para transmissão de um recado celestial”. Viajemos rapidamente pelo tempo até às proximidades de Jerusalém, no 1º Século da era cristã. Que curioso: De repente, entra em cena Jesus, o alienado político de Nazaré, com uma palavra no mínimo inusitada: “Vocês são o sal da terra. Mas se o sal perder o seu sabor, como restaurá-lo? Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens” (Mt 5.13, NVI). Visualizem com atenção a cena: em meio ao generalizado caos político e religioso dominante em Jerusalém, Jesus, curiosa e inesperadamente, desejou refrescar a memória dos discípulos quanto à sua condição.

Lembrá-los do seu papel nesse mundo era essencial, pois se o esquecessem, estariam condenados à inutilidade. Cristo sentenciou que se vivessem de modo insípido nesta terra se tornariam imprestáveis aos olhos de Deus.

Sim, mas o que afirmativa de Jesus tem a ver com nosso atual picadeiro eleitoral? Tentemos estabelecer uma modesta conexão. Lembra da lógica anterior: quanto mais, melhor?! Honestamente, acho-a incompatível com as Palavras de Jesus (recapitulando: “vós sois o sal da terra”). Na ótica do Mestre, o problema não era a quantidade de sal disponível, mas sua qualidade. O foco de Jesus não era atingir algumas toneladas de sal (milhões de outros discípulos) para dar sabor especial a esse mundo, acelerando, dessa forma, o processo de implantação do Seu Reino aqui na terra. Absolutamente, não! A estratégia era que aquele punhado de discípulos, embora numericamente poucos, vivessem de modo tão impactante, a ponto de que todos vissem neles, nitidamente, a imagem do Mestre.

A maior pretensão de Jesus não foi assumir as rédeas políticas de Jerusalém, Judéia, Samaria ou de qualquer outro governo terreno. Jesus descartou estratégias como o uso da influência política e da maioria das armas humanas para cumprimento da sua missão. A intenção dele era arregimentar um batalhão de cristãos capazes de mudar o mundo com o impacto das suas modestas vidas.

O Mestre alertou que poderíamos ser invencíveis se decidíssemos, tão somente, andar humildemente com nosso Deus. Não por acaso, um construtor de tendas e um carpinteiro figuram entre os mais poderosos instrumentos já usados por Deus para Salvação de homens. Esse é o nosso desafio: ser como “pitadas de sal” no lar, nas ruas, empresas, universidades e escolas. Algumas “pitadas de sal” são suficientes para influenciar a realidade, dando um sabor especial.

O cenário político brasileiro é caótico e clama por nossa intervenção. Angustia a alma ver os eleitores, como zumbis hipnotizados, sendo conduzidos para o resultado óbvio, e decepcionante, das eleições. Dói ver pastores, fria e cinicamente, mercadejando o voto das suas ovelhas em troca de migalhas. Mas não desanimemos. Embora a incapacidade de reflexão da maioria do povo seja de arrepiar, não devemos esmorecer. Como sal, precisamos agir eficazmente para retardar o processo de putrefação moral que atinge nosso País.

Se necessário, devemos empunhar bandeiras, organizar passeatas e promover mobilizações em busca de ideais dignos e que contemplem o maior número possível de pessoas, inclusive as que não conhecemos ou que pensam diferente de nós. Se não agirmos assim, continuaremos sendo cúmplices de canalhas travestidos de representantes denominacionais, e que se aproveitam da fé e da ingenuidade dos seus “irmãos”, utilizando-os como trampolim para suas eleições.

Caso recente, dentre inúmeros outros, foi o do “pastor” envolvido no escândalo do “mensalão candango”. O “servo de Deus”, após abocanhar sua fatia de dinheiro ilícito e de corrupção, orou agradecendo aos céus por aquela abençoada oportunidade que lhe fora concedida. Haja estômago, haja estômago!

Por isso e muito mais é que repito: não precisamos de meninos de recado, mas de pessoas que tenham caráter inegociável e que estejam dispostas a batalhar pela dignidade humana. Já o circo gospel, esse sim precisa de meninos de recado. Afinal de contas, de que outra maneira, se não pelas manobras políticas, garantiriam o direito de continuarem apresentando seus bizarros espetáculos?

Mesmo estando há alguns séculos de distância de nós, a voz do Profeta Miquéias continua atualíssima. Sua palavra certeira faz um lembrete que deve servir de baliza a nós, eleitores e candidatos, lembrando-nos que “Deus mostrou a nós, homens, o que é bom e o que o Ele exige: que pratiquemos a justiça, amemos a fidelidade e andemos humildemente com nosso Deus” (Miquéias 6.8).

Francisco Helder Sousa Cardoso

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comentários
  1. william costa disse:

    Lastimável, estão dentro das igrejas e os ‘rebeldes’ ainda compactuam com o voto… sem mais comentários!

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