EVANGÉLICOS PÓS-ELEIÇÕES: Fechando para Balanço

Publicado: 5 de novembro de 2010 em Sem categoria

Viva o movimento evangélico brasileiro! Uma explosiva salva de palmas para nossas estrelas gospéis. “Nunca antes na história deste país” o “povo de Deus” havia alcançado tanto destaque. Inevitável e subitamente, viramos alvo dos poderosos do Brasil. Políticos e emissoras de rádio e TV, além dos sites e blogs, perseguem-nos atrás de migalhas da nossa “opinião” e “aparição”.

Ana Paula Valadão, considerada a “Sandy dos evangélicos”, teve seus 15 minutos de fama no “Domingão do Faustão”, da Rede Globo. A cantora Aline Barros deu um show no “Programa Raul Gil”, do SBT. Silas Malafaia, pastor assembleiano, transita por programas famosos como o do “Ratinho”, no SBT, e “CQC”, na BAND. Isso sem falar em Edir Macedo, dono da 2ª maior emissora de televisão do Brasil (Rede Record), e R.R Soares, que é considerado a pessoa que mais tempo de aparição tem na TV  brasileira.

Ainda sob o calor das eleições, cristãos apontam para o fenômeno Marina Silva, alardeando a força que eles julgam deter, capaz de atropelar e desarmar qualquer hegemonia oligárquica, partidária ou midiática. Com base nisso, reivindicam “respeito” e privilegiada atenção. Afinal de contas, eles agora possuem poder para definir o rumo de qualquer eleição. Com esta enxurrada de “bençãos” despejadas sobre o povo evangélico temos mais é que comemorar. Certo? Errado! Sem titubear, a resposta é não.

Mesmo com todas estas “vitórias”, o ano de 2010, definitivamente, não foi o ano dos evangélicos brasileiros. Apesar do nosso explosivo crescimento numérico e exaustivas aparições midiáticas, não temos tantos motivos assim para comemorar. A larga exposição na mídia, longe de pulverizar as boas novas do Evangelho e nosso santo modelo de vida cristã, serviu principalmente para amplificar para o Brasil inteiro a vulnerabilidade e inconsistência desta avassaladora onda gospel da qual, infelizmente, entendem que fazemos parte. Poucos movimentos têm se revelado tão indefiníveis, controversos e repudiáveis quanto o evangelicalismo atual.

Inocentes, apostamos alto demais no movimento evangélico brasileiro. Pensávamos que ao ganhar projeção nacional, disseminaríamos em velocidade meteórica para todo o país nossos invejáveis valores e, é claro, o santo Evangelho extraído das páginas bíblicas. Pobre engano. O maior feito da esmagadora maioria dos nossos tele-evangelistas tem sido, especialmente, onerar o bolso dos fiéis e disseminar a asquerosa Teologia da Prosperidade para todo o Brasil.

Para se ter idéia da dimensão do problema, note que pregadores da estirpe de Morris Cerullo, Kenneth Hagin e Benny Hinn, disseminadores mundiais da herética e perigosa Teologia da Prosperidade, tem destaque nos principais programas evangélicos do Brasil. Para nossa surpresa, membros de igrejas de tradicional amor pela Palavra, inclusive batistas, deliciam-se com as páginas de livros inúteis como “Bom dia Espírito Santo”, “Como Tomar posse da Benção”, “Batalha Espiritual e Vitória Financeira”, dentre centenas de outros. Isto se configura como uma irresponsabilidade gravíssima e que pode gerar males inimagináveis para a saúde espiritual das igrejas do nosso país.

Quanto ao tema político, vimos que a batalha eleitoral encerrada há poucos dias foi uma amostra horripilante do que vem pela frente. Edir Macedo (cabo eleitoral da presidenciável Dilma), Silas Malafaia (do Serra) e Caio Fábio (da Marina) deram-nos uma fiel demonstração de quão manipuláveis e vergonhosamente infantis podemos ser. Digladiaram-se publicamente, com graves e ofensivas acusações, advogando, cada um à sua maneira, estar falando o que entendiam ser a “vontade de Deus”. (curioso: pelo visto, até Deus ficou em “dúvida” quanto a quem escolher para presidente do Brasil… engraçado, não?!).

Os principais líderes evangélicos brasileiros (digo, os mais conhecidos) protagonizaram cenas lamentáveis e que merecem ser esquecidas. Pensando bem, é melhor que não as esqueçamos. Quem sabe assim, isso nos servirá de lição para as próximas disputas eleitorais. Todavia, de uma coisa tenho certeza: desta eleição saímos derrotados (Não porque a Marina Perdeu e a Dilma ganhou. Não mesmo!). Tenho a impressão que daqui para frente, mais do que nunca, meus amigos incrédulos continuarão achando (agora com mais intensidade) que pastores e líderes evangélicos não passam de vigaristas mercenários e oportunistas. Ao menos por enquanto não buscarei lhes tirar a razão…

Devemos ser honestos e avaliar se nossa expansão numérica nos tem feito bem ou mal. Se nosso crescimento e constante publicidade nos têm transformado em reféns do orgulho, soberba, inveja, arrogância, prepotência, insensibilidade, auto-suficiência e outros pecados a estes relacionados, devemos urgentemente nos arrepender e buscar a trilha que conduz ao quebrantamento diante do nosso Senhor. Ou levamos a mensagem bíblica a sério, ou entraremos para a história como cúmplices ou responsáveis pelo desmoronamento da igreja evangélica no Brasil. Neste caso, é só uma questão de tempo. Não precisa nem pagar para ver…

Francisco Helder Sousa Cardoso

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comentários
  1. William Costa disse:

    Nossa, ufa, fiquei chocado com essa Seminarista Helder, quão bem colocadas foram as palavras e quanta observação feita ao cenário GOSPELÍTICO do Brasil atual…. Gostei disso, no entando olha a cara de muitos dos grandes mídiaticos pastores que pregam prosperidade…. MAlafaia ao apoiar o Serra que no mesmo dia confirma que é a favor do aborto em público, foi o máximo… fiquei pensando e cara dele agora…. Nem Piragine, ne Malafaia, nem Fábio, nem Macedo… envergonhem-se diante do caos… ou da fama lixo que tiveram durantes esse período, ou orgulhem-se de poder ganhar repercussão na midia…
    Penso que o Valdomiro deveria ter entrado nessa, enfatiza bem a prosperidade e muitos outros, até em nossa igrejas…

    Como causo vou contar:

    “Certa vez o pastor de uma de nossas igrejas, chegou na irmã e perguntou: – Irmã como estão as suas vendas?, a irmão responde: – Estão bem.
    NA réplica o pastor disse: – Pois é irmã você deve aumentar o valor de seu dizímo, pois você é líder de um ministério da igreja, portanto, exemplo.
    Nossa! Nem a minha reação ao ouvir isso, nem a dela, tem cabimento? ”

    Reflete, como refletem essas atitudes, como esses q se dizem o tais…

    “Misericórdia quero, Senhor”

    Em Cristo, William Costa.

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