O EQUÍVOCO DA REVISTA VEJA

Publicado: 10 de maio de 2010 em Sem categoria

Assim a Revista Veja escancarou, em resumo, sua irresponsabilidade: “A geração tolerância: Os adolescentes e jovens brasileiros começam a vencer o arraigado preconceito contra os homossexuais, e nunca foi tão natural ser diferente quanto agora. É uma conquista da juventude…” (destaque meu) (Edição 2164, 12/05/2010). Definitivamente, não concordo com a percepção jornalística da Editora Abril. Tenho fortes razões para isso. Considerando meu papel de líder de jovens e adolescentes, ergo a voz no mesmo tom da revista e, com o pé na parede, retruco: Veja está equivocada!

Para começo de conversa, sugiro uma breve análise do que rege a indústria jornalística. O professor Alexandre Barbosa, Mestre em Ciências da Comunicação pela USP, explica que “a indústria jornalística, na essência, em nada se difere de uma fábrica, precisa de lucro para manter as atividades. E a Editora Abril, por ser indústria jornalística, mantém o lucro por meio da venda de espaço publicitário em suas publicações. O espaço será mais caro quanto maior for o índice de audiência. Portanto, para os objetivos financeiros da editora, soltar uma capa “polêmica” só ajuda a elevar a audiência e conseguir melhores preços pelos anúncios”.

Convenhamos, a Veja extrapolou os limites da ambição financeira. Negligenciando a sensatez, ajoelhou-se diante do espírito permissivo e capitalista que rege nossa época. Sob ótica precária e em mais uma das suas baixíssimas estratégias de marketing mercadológico, a revista abusou da condição de famigerada, desprezou o bom senso e pulverizou para todo o país uma edição cujo teor é desprezível e altamente questionável.

Sem pensar nos desdobramentos do seu flagrante acinte, Veja conspirou contra a responsabilidade. Esquecendo-se de sua nobre missão jornalística, despediu-se da imparcialidade, montou um ringue e convidou para o duelo homossexuais e cristãos.

Além da questão capitalista, que bastava para não dar grande crédito à matéria, há ainda outros agravantes. A reportagem, encharcada de expressões do tipo “avanço na tolerância às diferenças”, “geração tolerância” “vitória contra o preconceito”, além de tendenciosa, reflete toda a mediocridade de uma visão meramente oportunista. Afinal, o termômetro popular já revelara: quaisquer atrações, desde novelas a reality shows, que explorem dramas e carícias entre homossexuais “viram febre” e elevam a audiência. A Revista Veja, que não é boba nem nada, vendo que o “mar estava pra peixe”, tratou de, imediatamente, lançar seu anzol. Travestida de “politicamente correta”, sua matéria comemora, por exemplo, o fato de seriados americanos e novelas brasileiras cada vez mais aclamarem a imagem homoafetiva.

A reportagem, tencionando fundamentar sua miserável argumentação, colheu meia-dúzia de depoimentos de adolescentes (de 16 a 20 anos) que, com orgulho, expunham sua homossexualidade como troféu. Debilitando mais ainda sua já enfraquecida tese, mirou nomes famosos como o do cantor Ricky Martin, o jogador de rúgbi galês Gareth Thomas e até mesmo a cantora gospel Jennifer Knapp, alegando, debaixo de aplausos, serem estrelas “recém-saídas do armário”.

Sob panorama bíblico isso é realmente preocupante. Premiar com louvor o que afeta a santidade de Deus é um erro gravíssimo e que pode gerar males inimagináveis (cf. Gálatas 6.7).

Sem falar que a reportagem cria um beco sem saída para os que a objetam: discordar de sua linha de argumentação é sinônimo de preconceito e discriminação. Uma das alegações é que com cristãos não há diálogo sobre esse tema, pois “durante as trevas da Inquisição, arremessavam-se os gays à fogueira”. Como fica evidente, reportagens deste calibre engrossam a hostilidade entre GLBT’s e cristãos, financiam intolerâncias e aniquilam, atualmente, qualquer possibilidade de diálogo urbano e civilizado.

Tentar resolver o impasse combatendo apenas o tal “preconceito” é batalha perdida. O problema é mais sério do que se imagina. Apenas uma análise sincera da realidade homossexual deve receber atenção. Do contrário, a ferida pode evoluir para algo muito pior. Resgatar a visão espiritual, ofuscada pelo relativismo pós-moderno, é passo fundamental nessa missão.

Na pauta de prioridades, o essencial não é apenas saber se os princípios cristãos toleram ou não a homossexualidade. O cerne desse debate é entender como Deus olha para tudo isso. E a forma mais segura de saber como Deus olha para isso é através de uma análise do que Ele mesmo já falou sobre o tema. Num sem-número passagens bíblicas, no Novo e no Velho Testamento, há objeções claras e inegociáveis à homossexualidade.

A Revista Veja, após hastear a bandeira com as cores do arco-íris (símbolo dos GLBT), alegou que mais um passo foi dado no caminho da celebração da igualdade e dignidade. Não acredito que seja por aí. A realidade, sem rodeios, é a seguinte: A homossexualidade é, biblicamente, um desvio da natural vontade divina (Rm 1.18-27; Gn 1.27).

Se a Editora Abril soubesse que nos bastidores daquele tipo de arco-íris existe excessiva mágoa, amargura, cinzenta e crônica tristeza, teria pensado melhor antes levantar aquela bandeira. Aqueles que têm, biblicamente falando, um desvio do padrão natural da sexualidade, nunca serão verdadeiramente felizes.

Conforme afirmou o Apóstolo Paulo, o que justifica a aparente satisfação dos GLBT por suas atitudes é que “Deus os entregou à imundícia, pelas concupiscências de seu próprio coração, para desonrarem o seu corpo entre si […], porque até as mulheres […] e semelhantemente os homens, deixando o contato natural […], se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro” (grifo meu) (Rm 1.24,26, 27).

Não me posiciono aqui como inimigo dos homossexuais. Pelo contrário, olho para eles com misericórdia e amor cristão. Mas é preciso entender que atitudes fundamentadas sobre os apodrecidos padrões morais de uma sociedade em progressiva decadência não são seguras. Não podemos colocar toda uma espécie em risco por causa dos anseios de um grupo. Não podemos, definitivamente, continuar atirando no escuro, no que diz respeito a decisões tão importantes e que acarretam perenes conseqüências.

Sobre os GLBT, a realidade é que também foram criados à imagem de Deus, assim como qualquer ser humano. Por causa do pecado, afastaram-se dos contornos e dos traços marcantes imprimidos em suas vidas pelo Pai. Mas, ALELUIA, através do sangue Jesus Cristo, mediante arrependimento, essas inclinações pecaminosas podem ser vencidas, para que, então, o verdadeiro arco-íris divino, cujos bastidores são coloridos por uma vida santa e genuinamente feliz, possa ser a nova marca de suas existências.

E o mais interessante é que esse arco-íris divino, assim como nos desenhos animados, quando chegamos ao seu final, também leva a um tesouro. Um lindo, valioso e indescritível tesouro: “Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam. (I Co 2.9).

Francisco Helder Sousa Cardoso

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comentários
  1. william costa disse:

    Olá Pte Helder,
    sinto-me honrado em saber que você ainda levanta a bandeira da dignidade cristã, em nossos dias.
    Em relação a seu post, concordo com você, em numero, gênero e grau!
    A conceituada Veja, expressou-se de uma forma equivocada e sem nexo. Apresentando o tema de uma maneira absurda e sensacionalista. Capitalismo total.
    Renovo meus votos de estima e apreço por você, antenado e sempre contundente em seus propósitos.
    Deus Abençõe,
    William Costa.

    • Francisco Helder disse:

      William, amigo querido

      Obrigado pelas gentis palavras. Redireciono-as à glória do nosso Deus!
      Produzir um texto nesse teor, e torná-lo público, é uma aventura eletrizante. Um verdadeiro desafio.
      Como cristão e lider de jovens e adolescentes, não pude, definitivamente, silenciar diante de tamanha barbaridade. Precisamos erguer nossas vozes em tom profético, independente da época em que vivamos.

      1 Co 10.31

      Um abraço enorme,

      Francisco Helder

  2. Thamyres disse:

    Um dos grandes problemas é que o efeito da divulgação de temas “polêmicos” (como você bem ressaltou) encoraja jovens e adolescentes, até mesmo cristãos, a não agirem com o tal “preconceito” afirmado na materia da revista, a encararem isso como sendo normal e por outro lado pode também criar um grande abismo entre os cristãos e pessoas homossexuais que precisam de Cristo em suas vidas. Ouvi o testemunho de uma irmã que dizia que sua igreja esta acompanhando um homossexual que se converteu, você deve imaginar que a tarefa é ardua, vencer a barreira do homossexualismo é como vencer um vício. Creio que só Deus é capaz de mudar a realidade de quem está perdido, seja por qual motivo for, mas não devemos nos colocar de fora dessa realidade. Não devemos deixar que fatos como esses venham a nos fazer perder o real objetivo de ser cristão que é propagar o nome e o amor de Cristo a toda e qualquer pessoa.

    Grande abraço!!!

  3. Amigo Francisco Helder,
    Como vão as coisas?

    Confesso que fiquei indignado com a matéria de Capa da revista Veja mencionada em seu blog.

    Fiz um destaque em meu twitter sobre sua publicação. Precisamos nos manter firmes em nossos principios e em nossos valores! Não vamos retroceder no que tange a verdade bíblica!

    Como servos e cristãos, amamos pessoas mas refutamos tais comportamentos!

    Parabéns pela iniciativa de comentar, e com tanta sabedoria e propriedade, esse assunto tão polêmico!

    Abraços,
    Na Confiança do Pai,
    Vinícius Almeida
    D. Executivo da JUBAM
    twitter.com/vasvarela

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