O BRASIL E A CORRUPÇÃO: Afinal, de quem é a culpa?

Publicado: 18 de agosto de 2009 em Sem categoria

culpa

O Brasil atravessa hoje um dos momentos mais difíceis de toda sua história. Os infinitos casos de corrupção, ventilados pela mídia para todo o país, esbofeteiam nossa dignidade. O clima está pesado. Um sentimento de impotência teima em querer se abrigar em nossos corações. Antes mesmo de digerirmos alguns fatos, uma seqüência infinita de outros já vêm em nossa direção a fim de nos soterrar.

Somos espectadores de tramas diabólicas. Vemos que, na busca desenfreada pelo poder, muitos têm vendido a própria dignidade. Penhoram a própria honra em dívidas que jamais poderão ser quitadas. E a nós, miseráveis mortais, resta apenas assistir a todo esse espetáculo com o amargo gosto da insatisfação, parceiro inseparável do nosso imutável conformismo. Nessa novela da vida real, nos cansamos de sempre fazer o papel de bobos indefesos, que nunca deixam de ser marionete sem cérebro nas mãos dos que manipulam o país.

A corrupção se alastra pelo Brasil de forma assustadora. O ritmo de sua pulverização se dá em velocidade meteórica, ultrapassando em passos galopantes a transmissão do vírus H1N1. A corrupção made in Brasil manifesta-se como uma infecção generalizada. Nosso poder público, em todas as esferas, desmorona diante da acurada análise de sua estrutura. Ao se abrir as portas que conduzem ao interior de qualquer instituição política do país, nota-se que ali jazem cadáveres da honradez em avançado estado de putrefação; ao buscarmos abrigo na “religião”, antigo refúgio, descobrimos que a mesma está infestada por víboras gulosas por dinheiro e poder, e que, diariamente, maculam a imagem dos que ainda pelejam para ser verdadeiros cristãos. São armadilhas e labirintos macabros; casas de horrores; o mais assombroso de todos os filmes de terror.

Porém, algo muito intrigante desafia e clama em gritos desesperados por nossa atenção. Devemos ter extremo cuidado para que o vírus da corrupção não nos alcance. Sim, pois alguém já sugeriu que muitos são honestos tão somente porque lhes falta ocasião e talento necessários para serem o oposto. E eu acredito nesse veredicto popular. Note que os grandes e caudalosos rios começam nas pequenas gotas das nascentes. Homens corruptos não são paridos da noite para o dia. A maioria deles traz sobre si essa herança maldita. Tal vulcão adormecido espera apenas o momento propício para protagonizar sua avassaladora manifestação.

Lamentável é saber que em nós está incubado o asqueroso hábito de dar um jeitinho nas coisas, de tirar proveito de tudo. Não bastasse isso, trazemos em nossas costas a rígida disciplina em que fomos adestrados, que nos ensina a alcançar determinados fins, não importam os meios. Isso então explica o porquê de nossa tolerância e inércia diante de tantas falcatruas. Afinal de contas, a maioria de nós, se estivesse no lugar dos atuais “meliantes”, agiria de maneira igual ou, quem sabe, até pior.

Vemos tristemente que a profecia de Rui Barbosa, distinto escritor e ex-político brasileiro, cumpre-se em nossos dias. Ele sentenciou que “de tanto ver triunfar as nulidades, e de tanto ver o poder se acumular nas mãos dos maus, o brasileiro chega a ter vergonha de ser honesto”.

A nós, remanescente cristão, resta ouvir o apelo de Paulo quando rogava: “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da vossa mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12.2 NVI).

Que cada um de nós possa, em tempos tão difíceis e turbulentos, testemunhar o evangelho de Cristo de forma incandescente. Que nos portemos como referenciais vivos do Reino de Deus nessa terra, como o “bom perfume de Cristo” (II Co 2.15), e que a parte mais obscura de nossas vidas seja mais resplandecente que o sol do meio dia (cf. Sl 37.6).

Francisco Helder Sousa Cardoso

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