TROPA DE ELITE PASTORAL: os desafios de um ministério…

Publicado: 1 de maio de 2009 em Sem categoria

sozinho

O badalado filme “Tropa de Elite”, lançado no Brasil há alguns meses, foi mesmo marcante. Uma das partes mais interessantes (além da cômica “pede pra sair, pede pra sair!”) pode ser vista logo no início, quando o Capitão Nascimento, protagonista da trama, elenca as três espinhosas opções de quem deseja ser um policial na realidade carioca: “Ou se omite, ou se corrompe ou vai à luta”.

Não quero ser policial. Não tenho “nervos” pra isso. Nem mesmo quando criança me sentia cativado pela distinta função. Mesmo assim, vejo-me, na condição atual (aspirante ao ministério pastoral!), servido das mesmas três opções listadas pelo Capitão Nascimento.

Para ser pastor é preciso ter sangue frio, pés no chão e invejável firmeza para decidir entre se omitir, corromper ou ir à luta. A mais escolhida de todas, acredito, é se omitir. Tenho visto que o principal utensílio mobiliar do ministério de muitos pastores tem sido um enorme “tapete”, que levam para onde vão. Serve para esconder uma infinidade de questões que eles, por incapacidade ou simples falta de vontade, não conseguem resolver. Pastores que não conseguem dar respostas consistentes a problemas e questões inquietantes, e que são de sua competência resolver. Muitas vezes o agonizante silêncio impera. É mais fácil se refugiar em seus “inofensivos” púlpitos e gabinetes e ficar, como cantava o indesejado Raul Seixas, “esperando a morte chegar…”

Causa-me aflição o comodismo a que se entregou a maioria dos (futuros!) colegas pastores. Muitos não conseguem demonstrar a fibra que (espero eu!) há em suas estruturas de fé. Vemos o país se esbaldar irresponsavelmente nos debates em relação ao aborto, homofobia, células-tronco, pedofilia, corrupção e tantas outras aberrações, enquanto nossos nobres “ministros”, em seus aconchegantes ninhos eclesiásticos, aguardam, na melhor das hipóteses, a volta de nosso Senhor Jesus.

Sempre bati na tecla de que temos, em nossos arraiais, mentes pensantes capazes de oferecer sólidas respostas às questões morais, sociais e espirituais que nos são, quase que diariamente, apresentadas. Mas, por algum motivo, muitos não o fazem…  E se o mundo não encontra as respostas para suas inquietações em nós, pregadores da Santa Palavra, continuará buscando naqueles que, perversamente, drenam dos esgotos de suas almas, em moldes de soluções, as piores podridões imagináveis. Se fossemos membros de uma corporação policial qualquer, acredito que, às pressas, seríamos, pela constante e vergonhosa postura de omissão, exonerados.

Outra posição muito apreciada por pastores tem sido a de se corromper. Isso mesmo! Muitos optam, a sangue frio, pela corrupção. Homens aparentemente íntegros, cuja personalidade, caráter e fé vemos, com surpresa, desabar diante de nós.

Muitas vezes a ambição do poder político (mesmo que na esfera denominacional) furta a dignidade de alguns líderes. Tais permutam a preços ínfimos o seu imensurável valor; outros a vendem pela comodidade de cargos; alguns pelas teias pegajosas da avassaladora inveja ministerial ou ainda pelo veneno mortífero da perversão sexual, que geralmente lhes é servido na taça de ouro da sedução… Pastores que, assim como eu e você, viviam com simplicidade debaixo da orientação do Pai. Todavia, vacilantes, deixaram de lado o peso de sua vocação, passando, então, a ser tragados pela vaidade; não recorreram à misericórdia divina, e hoje estão na sarjeta, baleados, sangrando, dando os ofegantes suspiros finais de seus ministérios….

Mas há um grupo em que desejo ardentemente ingressar e permanecer. É o grupo dos que vão à luta. Entrar nele é fácil. Geralmente sua porta de entrada é a empolgação. Porém, difícil mesmo é nele se manter. Seu treinamento seletivo não se dá nas selvas, entre as feras da mata virgem, nem com a privação de alimento ou sujeição às horripilantes formas de hierarquia militar. Não, não é assim. Oxalá fosse, mas não é.

No ministério pastoral, nem sempre nossa maior batalha será o crime organizado; nosso maior ofensor também não serão os traficantes; e também os métodos de inibição contra nós usados não serão medidos apenas em calibres…

Tremo só de pensar que nossos maiores “inimigos” poderão estar vestidos no mesmo fardamento que nós; que algumas vezes o “crime organizado” se manifestará camuflado de “grupinhos” da igreja: As famosas “panelinhas”. Elas são diabólicas. Altamente nocivas. Minam nossa paciência, fragmentam nossos ternos sentimentos e fazem ruir nossa paz ministerial. É difícil não temê-los…

Também nossos maiores ofensores não serão os traficantes, mas os adeptos da cobiça, da inveja, das perversas maquinações. Pessoas que estarão de plantão às abas do nosso tapete, esperando apenas o momento de, maliciosamente, nos derrubar, nem que seja apenas para ouvir o estrondo da queda.

E sei que o que mais nos causará inibição não serão os calibres 22 ou 38 das armas de alguns, mas suas assassinas palavras. Algumas serão colhidas no jardim do inferno. Seu enganoso perfume, às vezes disfarçado em forma de palavras de ordem e zelo pela igreja, camuflará sua ambição maligna de vingança, de auto-satisfação, de sórdido desejo de mostrar quem de fato tem a razão. Não sabem eles que paus e pedras nos ferem os ossos, mas que as palavras que nos dizem, realmente, nos machucam. E por que não apreciar a inspiração poética, lembrando-nos que “[…] desavenças e rancores não convêm a pecadores salvos pelo amor” (Hino 380 CC). Bom mesmo seria que não estivéssemos perto quando o gatilho de línguas e corações envenenados fosse disparado. Porém, nem sempre poderemos nos dar a esse luxo. Tratemos, pois, de obter bons escudos e coletes à prova dos tais…

Precisamos, para desempenho deste desafio, cerrar nossos corações, muitas vezes, com ferrolhos semelhantes aos de palácios. Fazer-nos de surdos, insensíveis; botar o coração nas costas, e uma pedra de gelo em seu lugar, a fim de podermos, mesmo ante tantas barbáries cometidas por algumas “ovelhas” e “colegas”, serenamente, e com a graça de Deus, permanecer fiéis. Mas isso nem sempre será fácil. É missão para super-herói; aqueles que têm partes de aço (nesse caso, seriam os nervos). Tem que ser gigante para suportar tudo isso.

E é exatamente aí que está o diferencial. Sabemos que nem todos almejam ou, simplesmente, tem forças para conseguir esta façanha. No entanto, Deus nos chama para, com exemplar galhardia, nos engajarmos nessa audaciosa missão, crendo que Ele nos dará os meios para, corajosamente, cumpri-la.

Como motivadora retaguarda ele nos assegura que “nunca nos deixará, nem nos abandonará(Hb 13.5, grifo meu), “mas estará conosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28.20). Nosso Comandante também nos acalenta a alma, via palavras do experiente Apóstolo Paulo, asseverando que “Aquele que começou a boa obra em nós há de completá-la até o dia de Cristo” (Fp 1.6).

E se você, mesmo em meio às duras realidades anteriormente expostas, deseja ingressar na tropa de elite celeste, que ama sua “farda”, e está disposto a dar sua vida pelo Reino, junte-se a nós.

Do contrário (prometo não lhe segurar pelo colarinho!), sugiro-lhe, sem maldade, a fineza de atender às palavras do Capitão Nascimento: “Pede pra sair, pede pra sair, pede pra sair”.

Francisco Helder Sousa Cardoso


Anúncios
comentários
  1. Jellffrel MS disse:

    Desse texto eu gostei. Muito elucidativo e criativo.
    Vamos a luta!
    Jellffrel

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s