POSSO ME ESPELHAR EM VOCÊ?

Publicado: 1 de maio de 2009 em Sem categoria

Posso me espelhar em você?Ser jovem não é fácil! Saber que muitas idéias que defendo hoje com tanta empolgação serão, num futuro bem próximo, causa de minha vergonha, me deixa no mínimo pensativo. Definitivamente, preciso eleger esta fase como a de maior cautela do meu viver.

Ainda mais se o dominical “Fantástico” me diz que estou na fase (casa dos 20 anos) de maior e mais “afiado” vigor mental.  Confesso que a notícia me pegou de surpresa. Nem em sonho imaginava que estes seriam os dias áureos e de melhor performance de minha mente. Preciso, então, me esforçar para extrair o máximo possível de vantagem deste primoroso momento (mas isto com redobrada cautela).  Mas sejamos realistas: será mesmo que o ápice de nossa capacidade entra em sua colossal erupção exatamente agora? Se for, estou perdido! Nem me preparei direito para isso.

Mas ainda que seja fato (e não simplesmente “boato”), não me deterei demasiadamente a ele. Já elegi a principal forma com a qual espero que minha vida seja lapidada: através da observação de outras vidas. Sei que na celeuma que é minha construção intelectual, moral, social e espiritual, outros fatores também serão imprescindíveis: um pouquinho de dor aqui, um “apertozinho” acolá, uma decepção de vez em quando; uma “quebradinha de cara” vez por outra… coisa básica, só pra não ver brotar do coração a sensação de auto-suficiência. Assim, não rejeito tais experiências por completo, mas torço para que sejam suavizados pelas mãos do Mestre, ou que pelo menos Ele me municie com abastada serenidade e sensatez para transitar por cada uma delas.

Visto que já compartilhei parte das ferramentas que serão usadas em meu aprimoramento, resta apenas pedir seu apoio para me ajudar a encontrar algo fundamental para conclusão desse processo construtivo: o projeto (ou, a planta da construção). Sim, pois preciso me referenciar em algo. Não posso começar uma construção ao léu, “desembestado” (como se diz no Nordeste), sem mensurações e orientações alinhadas por bom um prumo. Preciso de um referencial. Eis o coração deste artigo: Preciso de um referencial!

Quando ambicionei elaborar um texto nestes moldes, o fiz com o desejo de fomentar reflexão acerca do legado que deixaremos (você e eu!) para as gerações seguintes à nossa. Não almejo colecionar ícones infalíveis e super heróis da vida pastoral. Não! Como cito aqui, não espero, de maneira alguma, encontrar homens perfeitos, mas sim, alguém que possa servir de modelo para minha lida ministerial. E isso biblicamente não é errado. Vemos, por exemplo, o autor de Hebreus orientar: “Lembrai-vos dos vossos pastores, que vos falaram a palavra de Deus, a fé dos quais imitai, atentando para a sua maneira de viver.” (Hb 13:7). Não que eu almeje seguir tintim por tintim a sua forma de proceder, mas que eu o veja como exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, no amor, no espírito, na fé, na pureza.” (1Tm 4:12).  Pois o mesmo Paulo que se considerava miserável e indigno, entendia que, pelo seu proceder cristão, poderia sem medo sugerir: “Sejam meus imitadores como eu sou de Cristo”. E então, você aceita o desafio?

Como diz Rick Warren, o que se espera de nós não é PERFEIÇÃO, mas SINCERIDADE. Se eu descobrir que você não é perfeito, não ficarei desapontado; muito pelo contrário, o abraçarei. Afinal de contas, seria muito difícil para mim alcançar o patamar de um impoluto, inerrante e infalível referencial de vida. Porém, o que espero mesmo é vislumbrar um homem humilde, sereno, sensato, que mesmo envolto em densa ira, desapontamento, tristeza e dor, consiga ser sincero a ponto de demonstrar a realidade sobre si, revelando também dependência total da misericórdia e graça diárias de Deus. Pois você reconhece, humildemente, que sem Ele você nada é… Fico meio confuso quando tentam associar a intolerância e o apego inegociável à “santa doutrina”, que maioria das vezes gera obscuro ódio, dissídia e rancor, com o evangelho de nosso adorável e meigo Salvador. Realidade esta gritante e espúria. Nem com a minha mente na afiada casa dos 20 anos consigo decifrar esse enigmático paradoxo…

Não quero que sejam meus referenciais homens extremamente “eficazes” e “certinhos”. Não sei por que, mas eles exalam um aroma semelhante ao daqueles outros homens apelidados por Jesus de “raça de víboras” e “sepulcros caiados” (e.g. Mt 3.7).

Mas espere um pouco! Quase me esqueci de algo fundamental. Nesse processo seletivo é importante frisar que um dos meus maiores temores é o de ter como referencial alguém de vida irrelevante. Tenho medo de ser um pastor insignificante para a sociedade ou, quem sabe até, um mero prestador de serviços religiosos, ou ainda, como pincela o Pr. Ricardo Gondim em seus escritos, um “pastor com egolatrias tolas como o fascínio por títulos e cargos”. Afinal de contas, é tolice brincar de importante usando o nome de Deus.

Ufa! Que tarefa difícil. Mas não acabou ainda; minha busca continua! Preciso de pessoas em que eu possa me espelhar (Não se preocupe, Jesus é o primeiríssimo da lista! Mas não se acanhe, você pode ser o seguinte!). Já montei uma lista com alguns nomes. Tenho sondado, ética e respeitosamente, tais vidas. Confesso que algumas coisas não são tão atraentes assim. Mas, fazer o quê? Somos seres dotados de imperfeições, falhas, cismas e etc. Mas isso não vem ao caso agora. A questão é: que tipo de referencial estamos sendo aos jovens, adolescentes e crianças de nossos lares e denominação? Pelas nossas práticas e posturas geramos neles amor pela obra e denominação, pelo próximo e pelo próprio Deus? Sinceramente, algumas vezes, quando me deparo com algumas meninices sendo protagonizadas por nossos líderes familiares e institucionais/denominacionais, sobre questiúnculas fúteis e desnecessárias e quando contemplo cidadãos insensíveis aos gritos e agruras dos seus semelhantes; quando vejo tudo isso, confesso, esmoreço… Mas não desanimo! Apenas comecei a decidir no meu coração quem serão meus referencias de postura social, familiar e denominacional. Uma segunda galeria também já estou montando: a dos que representam tudo o que jamais quero ser como pai, pastor, cidadão, líder e servo…

E você, aceita o desafio de ser ponto cardeal para mim e para essa turma de jovens e crianças que está surgindo, paulatinamente, e que depende, e muito, do seu legado? Podemos nos espelhar em você?

Francisco HELDER Sousa Cardoso

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