BÍBLIA, RAIVA, PODER E ÁLCOOL: meios de se fazer raio-x do coração

Publicado: 1 de maio de 2009 em Sem categoria

raio-x1O conceituado ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa, foi mais uma vez notícia nacional. Todos os principais veículos de comunicação do país, sejam os impressos, virtuais ou os televisivos, alardearam seu nome associando-o ao inacreditável. Parece até brincadeira, mas o “Brasileiro do ano 2007” (título concedido pela revista IstoÉ, edição 07.12.07)), que virou herói nestas bandas do mundo por botar no banco dos réus 40 “mensaleiros”, “desceu do salto” e trocou farpas em tom áspero e agressivo com o colega, Ministro Gilmar Mendes, e isso em plena sala de audiência da corte do STF (dia 22.04.09).

O polido ministro não agüentou: numa erupção vulcânica, larvas de raiva jorraram de seu coração. Dirigindo-se ao Ministro Gilmar Mendes, Barbosa, em indomável desabafo, explodiu: “Vossa Excelência me respeite, eu não sou seus capangas lá de Mato Grosso!”. Que acusação ferina. Tenho quase certeza que o “Brasileiro do ano 2007” vai ter troco por tão inflamada afirmação.

Mas não condeno o ministro precipitadamente. Sabe Deus o que o levou a assumir aquela postura. Sua atitude, mesmo que indecorosa, foi um tanto corajosa e didática. Confesso que vê-lo protagonizando tal cena me fez refletir sobre os limites inimagináveis a que podemos chegar. Há quanto tempo o ministro Barbosa não vinha guardando aquela mágoa… Talvez nem em sonho imaginasse que, naquele dia e circunstância, seria refém de um pequeno mas nocivo sentimento: a raiva. Acho que agora entendo porque alguém, que não me lembro quem, me alertou anos atrás que, nos 5 primeiros minutos de raiva, fazemos coisas das quais poderemos nos arrepender para o resto de nossas vidas. Como tal alerta faz sentido, tratemos de nos policiar.

Dessa forma, advogo nesse texto que a RAIVA tem uma vantagem (vantagem?!): trazer à tona o que há escondido em nossos corações. Quantos cônjuges, namorados, ovelhas, pastores, colegas de serviço e amigos que aparentemente concordam com tudo (ou quase tudo) que fazemos ou dizemos, mas que, num assalto de raiva, vomitam sobre nós toda a realidade sobre o que de fato pensam? Mas não é só a raiva que faz isso não.

O que falar sobre o ÁLCOOL? Alguém, sabiamente, já sugeriu que “quando o álcool entra a verdade sai”. Homens e mulheres aparentemente recatados e polidos, mas que, após a ingestão da “marvada” cachaça, cerveja, vinho e outros associados ao álcool, revelam um outro lado, digamos, no mínimo, inesperado. Com o uso da razão, os homens escondem muitas verdades sobre si. Sob o efeito do álcool, a tampa do baú é aberta e algumas dessas verdades, sejam boas ou más, são lançadas fora.

Outro instrumento poderoso para fazer o raio-x de nossa alma é o PODER. “Quer saber quem realmente é uma pessoa? Dê poder em suas mãos”, afirmou outro sábio. O poder é uma “faca de dois gumes”. Manejado por nós com responsabilidade, converte-se em benção para muitas vidas. Mentoreado de forma medíocre, pode ser fatal e destruidor. Quando as pessoas estão em posição de poder, tudo que há dentro delas vêm à tona. Algumas revelam um lado agregador, companheiro e edificante. Outras, pelo contrário, revelam o monstro asqueroso que há dentro de si. Mesmo que sem querer, elas deixam transparecer seu entorpecente apetite pela tirania. A ânsia de mandar e desmandar aprisiona suas almas… Seu caráter, por vezes, se dilui no vício de poder dominar. Nessa brincadeira perigosa de poder, muitos, nos arraiais denominacionais, usurpam até o próprio Deus, considerando-se infalíveis, imutáveis, intocáveis, insubstituíveis… Pessoas aparentemente íntegras, cristãs e humildes, mas que, ao assumirem funções e cargos que demandam poder, resolvem também lançar mão do cetro e coroa reais, e acomodando-se em seus tronos imaginários, começam a brincar de ser Deus… Divertido? Parece brincadeira? Oxalá fosse…

Há, ainda, um quarto avançadíssimo “equipamento” de raio-x que traz às claras toda a realidade sobre nós: a BÍBLIA. A Palavra de Deus é como um espelho pelo qual podemos identificar todos os defeitos, feridas e imperfeições de nossa alma. Sim, pois diante dela, nossas almas ficam transparentes. Toda a realidade sobre nós fica nua e patente. As nossas máscaras caem e imediatamente reconhecemos quais os maiores anseios e necessidades que temos. Mas graças a Deus que esta mesma Palavra também se transforma, simultaneamente, em lavatório para as nossas almas, nos purificando, consoante arrependimento, de todos os nossos muitos erros, validando então a afirmação de que “se confessarmos os nossos pecados, Ele (Deus) é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça” (I João 1.9, adaptado). ALELUIA! “O sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo pecado (I João 1.7).

E dEle (Jesus), a mais áspera afirmação que recebemos é mais ou menos assim: “Eu o amo como você é; mas Me recuso a deixá-lo como você está; seus pecados (inclusive a raiva maligna, o vício e o egoísmo do poder) o afastam de mim; mas há uma saída: deixe-me entrar em sua vida, transformar seu coração, fazendo nele morada, para de você nunca mais me afastar”. A Palavra de Deus tem efeito terapêutico e cirúrgico. Sua eficácia opera em nossa regeneração de modo inigualável, perfilando-nos, a cada dia, à medida exata da vontade do Pai.

Enquanto o Ministro Joaquim Barbosa aguarda a manifestação do STF para dizer qual penalidade ele sofrerá por sua reprovável postura, deixe-me alertá-lo a que não caia no mesmo erro que ele. No trato para com os homens vale a pena ouvir Molière, dramaturgo francês distinto, quando diz que “convém em certas ocasiões ocultar o que se traz no coração”. Não vigiar suas palavras na hora da raiva e sair pulverizando por aí suas más impressões sobre os outros, poderá levá-lo a sofrer duras sentenças. “Tens visto um homem precipitado no falar? Maior esperança há para um tolo do que para ele”, pincelou Salomão ( Pv 29.20).

Lembra do álcool? Pois é, ele pode fazê-lo fraquejar e a muitos vexames ser exposto. O poder que deténs hoje (ou lutas pra conseguir!), mais cedo ou mais tarde, pela ação do tempo, não respeitará seus diplomas, manobras políticas e acumulado conhecimento: logo, logo fugirá, inevitavelmente, de suas mãos. Verás que não valeu a pena gastar tanto tempo e energia correndo atrás dele…

Já o pecado… esse maldito aqui e acolá há de nos encontrar. Mas para ele, uma vez estando em Cristo (e mesmo sofrendo acusações mais bem elaboradas e severas que as do STF), poderemos gritar, confiantes e de cabeça erguida, que “temos um ADVOGADO para com o PAI: JESUS CRISTO, O JUSTO” (I João 2.1).

Francisco Helder Sousa Cardoso

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comentários
  1. Pr. Hildemburgo Teixeira Sampaio disse:

    Muito bom! Eu não me refiro somente a estética, mas principalmente ao conteúdo, a raiva, o ácool e o poder são ferramentas que o inimigo usa para nos desviar do amor de Deus. Já a Bíblia, é a ferramenta de conciliação e reconciliação a esse amor. Continue escrevendo coisas boas e edificantes, só tenha cuidado com o “PODER” do conhecimento, quando não usado para saúde do próximo, tem o mesmo efeito do álcool e da raiva.
    Parabéns!

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